Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

 AS FESTAS DO POVO

 

 

Em Campo Maior costuma dizer-se que as festas se fazem quando o povo quer. Mais adequado seria dizer-se que as festas se faziam quando existiam condições para que o povo as pudesse fazer.

Muitos julgam que as festas tiveram sempre este modelo de ornamentação de ruas que agora as caracteriza. Nada mais longe da realidade. As festas começaram de forma muito modesta. No início não se distinguiam das festas que se realizavam em muitas outras localidades. Havia o hábito no Alentejo de decorar e refrescar o ambiente nos dias de festa decorando os espaços públicos com ramos, sobretudo os espaços onde decorriam as actividades festivas. Daí a designação de “enramação” para o acto de decorar as ruas e largos, recorrendo a ramos de murta, de buxo e de rosmaninho e, devido à falta de sistemas eficazes ou inexistentes de iluminação pública, as populações utilizavam os seus próprios recursos e criatividade para vencer as trevas da noite em dias de festa, com pequenas lamparinas de azeite ou anteparos de papel para proteger as velas do vento. Daí foi nascendo o hábito de enfeitar as ruas.

Em Campo Maior, começou-se pelo costume de cada um enfeitar a parte da rua fronteira à sua casa e de decorar e expor as partes da habitação viradas ao exterior, apresentando-as assim à vista de quem se passeava pelas ruas nos dias de festa.

Esta atitude que no começo era de iniciativa particular, foi dando origem a uma colaboração cada vez mais intensificada entre aos vizinhos de cada rua, até que os projectos pessoais deram origem ao projecto comunitário.

 

 

Maravilha e perfeição;

Não há festas como estas;

Digo à nova geração:

Não deixem morrer as festas.

 

Raparigas venham ver,

Esta rua tão mimosa;

Enfeitada com verdura,

E com flores cor-de-rosa.

 

Acabámos o trabalho,

Vamos todos p’ra folia;

Vamos ver as outras ruas,

Cantando com alegria.

 

Queremos cantar, ser alegres,

Queremos ter alegria;

Acabada a enramação,

Vamos todos p’ra folia.



publicado por Francisco Galego às 14:51
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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