Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013

Lá por fora, em terras distantes, recordava-se a terra que se deixara.

A emigração era uma dor que o tempo iria atenuando. Mas, agora que estava tão próximo do tempo em que se abalara, acudiam à mente e ao sentimento tantas recordações.... Por isso, cantavam-se as ruas, os sítios e os recantos onde se vivera, brincara e convivera, durante a infância e a mocidade:

 

Campo Maior teu jardim,

É tão bom como os melhores,

Quer de dia quer de noite,

Nele passeiam amores.

 

Vila de Campo Maior,

Tua beleza é tamanha,

Que até tens o rio Caia,

Bem encostadinho à Espanha.

 

Ruinha de Santo António,

Sempre dela gostarei.

É uma rua pequenina,

Mas foi lá que me criei;               

 

Sou soldado d’acavalo,

À porta da vila entrei,

Fui rua Direita abaixo,

Nem para o Convento olhei.

 

Ó bela rua Direita,

Entrada das espanholas;

Toca-me essa pandeireta,

Repenica as castanholas.

                               

Na rua da Soalheira,

Não se pode namorar;

De dia, velhas à porta,

De noite, cães a ladrar.[1]

                                                       

Olha lá, ó linguareira,

Que andas a remoer?

Da rua da Soalheira,

Ninguém tem nada a dizer.



[1] Publicada em A Sentinella da Fronteira, nº 333, Elvas, 12 de Agosto de 1884,  mas com o 1º verso mudado: Na rua do Espírito Santo

 



publicado por Francisco Galego às 07:04
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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