Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012

Hoje não fui escardar,

P’ra falar ao meu Joaquim;

Não quero que ele abale,

Sem se despedir de mim.

 

Não quero mais ir à escarda,

Não quero mais escardar;

Foi na escarda que ganhei,

Dinheiro p’ra me casar.[1]

 

A vida do almocreve,

É uma vida arriscada;

Ao subir duma ladeira,

Ao cerrar uma carrada.[2]

 

Eu fui lá ao São Mateus,

No ano em que choveu milho;

Encontrei o meu amor,

Fabricante de ladrilho.[3]

 

Não quero amor d’alvanéu,

Que trabalha lá no alto;

Pode cair e morrer,

Vive sempre em sobressalto.[4]



[1] Publicada em Cantos Populares Portugueses – Recolhidos da tradição oral por A. T. Pires, Elvas (1902-1910), p. 140.

[2] Publicada em A Sentinella da Fronteira, nº 425, Elvas, 18 de Abril de 1886.

Publicada também em Cancioneiro Popular, por Jaime Cortesão. Porto, 1914, pág. 84.

[3] Publicada em A Sentinella da Fronteira, nº 425, Elvas, 18 de Abril de 1886

[4] Idem, nº 361, Elvas, 23 Fevereiro de 1885.



publicado por Francisco Galego às 17:16
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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