Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012

Não quero amor de carreiro,

Que tem a vida arriscada;

Quero amor de ganadeiro,

Que vai dormir à malhada.[1]

 

P’ra carregar um carreiro,

Para lavrar um ganhão;

P’ra namorar um padeiro,

Um guarda p’ra mandrião.[2]

                                                       

O meu amor é pastor,

Guarda ovelhas d’alavão[3];

E já tem malhada assente,

Dentro do meu coração.[4]

 

Toda a vida guardei gado,

Eu sempre fui ganadeiro;

Uso safões e cajado,

Uso pelico[5] e caldeiro

 

Contrabandista valente,

Corres campinas e vaes[6];

Com guardas pela frente,

Com pistolas e punhais.[7]



[1] Idem, nº 580, Elvas, 23 de Fevereiro de 1891.

[2] Publicada em Cantos Populares Portugueses – Recolhidos da tradição oral por A. T. Pires, Elvas (1902-1910), p. 130.

[3] Ovelhas paridas, à quais se destinavam os melhores pastos pois produziam leite para fabrico de queijos.

[4] Publicada em Cantos Populares Portugueses – Recolhidos da tradição oral por A. T. Pires, Elvas (1902-1910), p. 130.

[5] Peça de vestuário, espécie de agasalho masculino, fabricada com pele de ovelha.

[6] Vaes  = Vales

[7] Publicada em A Sentinella da Fronteira, nº 580, Elvas, 23 de Fevereiro de 1891.



publicado por Francisco Galego às 17:07
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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