Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012

As quadras que a seguir se transcrevem, referem a situação dos trabalhadores no tempo do Estado Novo. Algumas, de forma divertida, outras clamando contra as duras condições de vida dos trabalhadores, referem a situação dramática dos que, nesse tempo de grande miséria, viviam sujeitos à apertada vigilância dos maiorais e manajeiros e sob a permanente ameaça de despedimento pelos patrões, o que significaria a perda do magro e raro salário que ganhavam, a mourejar de sol a sol, no trabalho do campo. Algumas são também clara manifestação de revolta contra as injustiças e as profundas desigualdades sociais:  

 

 

Sendo tu rico e eu pobre,

Sem mim não podes passar;

Enquanto eu tiver valor,

P’ra ti hei-de trabalhar.

                                                       

Quem vive do seu trabalho,

Nada vale com certeza;

O rico nada valendo,

Já pode mostrar grandeza.

 

Desprezas-me por eu ser pobre,

A pobreza Deus amou;

Não me trocava contigo,

Assim pobre como sou.[1]

 

 

            Numa terra em que o carácter sazonal do trabalho nos campos lançava periodicamente os trabalhadores no desemprego, a fome era a trágica visita que muitos deles bem conheciam. Apesar da trágica desgraça que constantemente pairava sobre as suas famílias, conseguiam brincar com a sua própria desgraça:

 

 

Ainda hoje não comi,

Coisa que o Senhor criasse;

Mas já vi o meu amor,

Fiquei como se jantasse.[1]



[1] Idem, nº 433, Elvas, 14 de Junho de 1882.



[1] Idem, nº 139, Elvas, 30 de Julho de 1882, com algumas diferenças.



publicado por Francisco Galego às 16:30
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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