Quarta-feira, 05 de Setembro de 2012

As quadras que a seguir se transcrevem, referem a situação dos trabalhadores no tempo do Estado Novo. Algumas, de forma divertida, outras clamando contra as duras condições de vida dos trabalhadores, referem a situação dramática dos que, nesse tempo de grande miséria, viviam sujeitos à apertada vigilância dos maiorais e manajeiros e sob a permanente ameaça de despedimento pelos patrões, o que significaria a perda do magro e raro salário que ganhavam, a mourejar de sol a sol, no trabalho do campo. Algumas são também clara manifestação de revolta contra as injustiças e as profundas desigualdades sociais:  

 

Ó que triste o meu penar,

Ó que triste o meu viver;

Trabalho de sol a sol,

E nem tenho o que comer.

 

Anda o pobre escravizado,

Toda a vida a trabalhar;

Sem ter direito à reforma,

Quando não puder ganhar.

 

Se o rico comprara a vida,

Ai do pobre, o que seria;

O rico seria eterno,

Só o pobre é que morria.

                                                       

Na cidade de Lisboa,

Quem é rico passa bem,

Assim é na minha terra,

E noutra terra também.[1]

 

Já o sol se vai escondendo,

Vai baixando a escuridão;

É alegria p’ra nós,

Tristeza para o patrão.



[1]Idem, nº 427, Elvas, 4 de Maio de 1886.



publicado por Francisco Galego às 16:22
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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