Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012

 

As quadras que a seguir se transcrevem, referem a situação dos trabalhadores no tempo do Estado Novo. Algumas, de forma divertida, outras clamando contra as duras condições de vida dos trabalhadores, referem a situação dramática dos que, nesse tempo de grande miséria, viviam sujeitos à apertada vigilância dos maiorais e manajeiros e sob a permanente ameaça de despedimento pelos patrões, o que significaria a perda do magro e raro salário que ganhavam, a mourejar de sol a sol, no trabalho do campo. Algumas são também clara manifestação de revolta contra as injustiças e as profundas desigualdades sociais:  

 

Adeus ó Zé Abanão,

Moiral do Chico Corado,

És chefe da inquisição,[1]

Está o povo desgraçado.

 

Ó meu amor diz-me lá,

Para quê trabalho eu?

Trabalho, mato o meu corpo,

Não tenho nada de meu.[2]

 

É triste nesta labuta,

Não haver contemplação;

O trabalho é do operário,

Os lucros são do patrão.

 

Para o rico andar gozando,

É o pobre quem trabalha;

O suor do pobre é doce,

A paga do rico amarga.

 

No campo da divina luz,

Onde tudo se consome;

Há quem come e não produz,

Há quem produz e não come.

 



[1] Repare-se na conotação da palavra inquisição (repressão, opressão, perseguição), numa terra em que, como Campo Maior, devido à política de D. João II de acolher os judeus expulsos de Espanha nas terras de fronteira em Portugal, conheceu a tenebrosa acção do Tribunal do Santo Ofício, nos séculos XVII e XVIII.

[2] Publicada em A Sentinella da Fronteira, nº 135, Elvas, 16 de Julho de 1882, com diferença do 1º verso: Ó minha mãe dos trabalhos,.



publicado por Francisco Galego às 16:05
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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