Segunda-feira, 04 de Junho de 2012

As ceifas constituíam outra das tarefas agrícolas que, antes da introdução das máquinas de ceifar e de debulhar, exigiam maior número de trabalhadores. Era um dos períodos do ano em que os assalariados se viam livres do flagelo do desemprego e da fome. O trabalho da ceifa era feito por grandes ranchos de homens e mulheres que, em linha, iam ceifando as grandes searas de trigo. Enquanto o faziam, sob a inclemência do sol abrasador do Verão alentejano, iam cantando para mitigar a rudeza do esforço.

Ora, no século XIX e 1ª metade do século XX, as ceifas eram tarefa que exigia sazonalmente muita mão-de-obra. Tanta que, para realizar todas as ceifas em tempo de evitar que parte dos cereais se perdessem, se tornava necessário o recurso a grandes ranchos de trabalhadores vindo de regiões mais a norte.

 

 

Cancioneiro da Ceifa (I)

 

As papoilas encarnadas,

A brilhar entre os trigais,

São tão lindas, perfumadas,

Com as rosas nos rosais.

                                 

À seara fui buscar,

Com meu suor a riqueza;

A vida pôs-me a ceifar,

Fiquei na maior pobreza.

 

Para o dono da seara,

A minha foice é dourada;

Ceifa trigo e centeio

Ceifa aveia e cevada.

 

Dizem que a folha do trigo,

É maior que a da cevada;

Também a minha amizade,

Ao pé da tua é dobrada.

 

Mas que linda ceifeirinha,

Que cara mais engraçada;

Lenço de chita florida,

A saia muito rodada.



publicado por Francisco Galego às 08:33
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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