Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

NA APANHA DA AZEITONA ( VII )

 

Se a oliveira falasse,

Ela diria o que viu;

Debaixo da sua rama,

Dois amantes encobriu.[1]

                                                       

Não cortes a oliveira,

Nem lhe metas roçadoira;

Dá azeite qu’alumia,

Jesus e Nossa Senhora.[2]

 

Olhem p’ra nossa bandeira,

Tem fitas de papelão,

Viva a nossa manajeira,

Que é uma rosa em botão.[3]

 

Olhem pr’o nosso ranchinho,

Pelo menos a metade;

É para que todos digam,

É rancho da mocidade.

 

Olhem pr’o nosso ranchinho,

Todos postos em fileira,

Parecem cravos e rosas,

Postos numa prateleira.

 

Já se acabou a azeitona,

Até p’ro ano que vem;

Rapazes e raparigas,

Passem todos muito bem.

 

Já se acabou a azeitona,

Já me dói o coração;

Amanhã já fico em casa,

Sem ter dinheiro p’ro pão.

 



[1] Publicada em Cancioneiro Alentejano, por Victor Santos, 1938, p. 62.  

[2] Publicada em A Sentinella da Fronteira, nº 579, Elvas, 25 de Janeiro de 1891.

[3] Em Campo Maior, era costume que os ranchos, acabada a apanha da azeitona, entrassem na vila com a sua bandeira ou pendão ornamentado com fitas de várias cores, levando á frente o seu manajeiro e percorressem as ruas cantando e bailando as “saias”, indo apresentar-se com a tarefa cumprida à porta do patrão.



publicado por Francisco Galego às 16:49
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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