Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

NA APANHA DA AZEITONA ( V )

 

A oliveira se queixa,

E queixa-se com razão;

Pois lhe colhem a azeitona,

Deitando-lhe a rama ao chão.

 

Os olhos do meu amor,

São duas azeitoninhas;

Fechados são dois botões,

Abertos, duas rosinhas.[1]

 

Apanhem a azeitona,

Virados p’ro vento norte;

Que o dinheiro do patrão,

Só se ganha desta sorte.[2]

 

Já se acabou a apanha,

Já se ganhou o dinheiro;

Dou vivas ao nosso rancho,

E também ao manajeiro.

 

Já se acabou a azeitona,

Já se acabou já lá vai;

Viva o nosso manajeiro

E o dono dos olivais.

 

Vimos fartos de cantar,

Já não estamos mais p’ra isso;

A não ser que o nosso amo,

Nos dê pão, vinho e chouriço.

                                                       

Oliveira não te seques,

Que hás-de vir a juramento;

Debaixo da tua rama,

Se tratou meu casamento.[3]

 



[1] Idem, nº 439, Elvas, 28 de Julho de 1886.

[2] Publicada em Cantos Populares Portugueses – Recolhidos da tradição oral por A.T.Pires. Elvas (1902-1910), p. 156.

[3] Idem, nº 311, Elvas, 1 de Maio de 1884.



publicado por Francisco Galego às 16:45
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
mais sobre mim
Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

13
14
15
17
18
19

20
21
23
24
25
26

27
29
30
31


arquivos
pesquisar neste blog
 
Visitas
blogs SAPO