Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

NA APANHA DA AZEITONA ( II )

 

 

Os amores da azeitona,

São como os da cotovia;

Em s’acabando o trabalho,

Fica-te com Deus Maria. [1]

 

Namorados d’azeitona,

São como os da cotovia;

Acabada a azeitona,

Adeus amor d’algum dia. [2]

 

A apanha da azeitona,

É como a rama do alho;

Dura pouco e quando acaba,

Ficam todos sem trabalho.

                                                       

Azeitona já está preta,

Já se pode armar aos tordos;

Rapariga já é tempo,

De tomares amores novos.[3]

                                                       

Oliveira do pé d’oiro,

Deita raminhos de prata;

Tomar amores não custa,

Deixá-los é que nos mata.

 

Azeitona miudinha,

Toda vai para o lagar;

As meninas desta terra,

Todas sabem namorar.

 

Azeitona cordovil,

Tem o caroço riscado;

O amor que há-de ser meu,

Já Deus o tem destinado.

 

 

 

 



[1] Publicada em Cantos Populares Portugueses – Recolhidos da tradição oral por A. T. Pires. Elvas (1902-1905), p. 157

[2] Publicada em A Sentinella da Fronteira, nº 387, Elvas, 7 de Agosto de 1885.

[3] Idem, nº 166, Elvas, 2 de Novembro de 1882.



publicado por Francisco Galego às 16:36
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
mais sobre mim
Abril 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
12
13
14

15
17
18
19
20

22
23
24
25
26
28

29
30


arquivos
pesquisar neste blog
 
Visitas
blogs SAPO