Sábado, 21 de Abril de 2012

NA APANHA DA AZEITONA ( I )

 

Os descantes ligados ao trabalho nos campos perderam-se na sua grande maioria. Uns porque sendo autênticos brados de revolta em tempo de ditadura, só podiam expressar-se entre gente de confiança não fosse a acção dos delatores provocar grandes problemas a quem os cantava. Outros, porque, devido às grandes modificações verificadas no trabalho dos campos, foram, por desuso, caindo no esquecimento.

Por alguns exemplares que chegaram até nós, podemos ficar com uma pálida ideia da riqueza poética e de informação social que encerrariam.

Para cada uma das campanhas de trabalho haveria o seu cancioneiro. Por exemplo, num Cancioneiro da Apanha da Azeitona, poderíamos encontrar cantigas como as que se seguem:

 

 

Olival são oliveiras,

As searas são trigais;

 A azeitona é para os tordos,

O trigo é p’ros pardais.

 

A Senhora da Saúde,

Está no meio dos olivais;

Está guardando a azeitona,

Não a comam os pardais.[1]

 

Os amores d’ azeitona,

São com’os amores d’Entrudo;

Em s’acabando a apanha,

Acaba-se o amor e tudo.

 

Os amores da azeitona,

São do tamanho d’amora;

Em s’acabando a apanha,

Adeus que me vou embora.

 

Os amores da azeitona,

São como talos de couve;

Em acabando a azeitona,

Adeus menina qu’eu vou-me.

 



[1] Publicada em Achegas para o Cancioneiro Popular Corográfico do alto Alentejo, por J.A. Pombinho Júnior, 1957, P. 57 e publicada em O Arqueólogo Português, vol. 21º - 1916- P. 187.



publicado por Francisco Galego às 16:26
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