Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

 

As jovens camponesas casadoiras, punham todo o esmero e cuidadosa escolha nos apetrechos de trabalho e, principalmente, nos trajos que envergavam. Rapariga que se prezasse escolhia cuidadosamente os canudos que na ceifa lhe protegiam os dedos da mão que juntava o trigo para ser cortado, e ponderava com cuidado a escolha da sua foice, da sua roçadoira ou do seu sacho.

Mas, acima de tudo, cuidavam da roupa que envergavam. Tinham um grande orgulho no seu trajo de trabalho. O chapéu era cuidadosamente escolhido e enfeitado, bem como o lenço que lhe colocavam por baixo.

Para trabalhar impunha-se a saia de riscado, rodada e comprida que se arrepanhava pela bainha de trás para a frente e se prendia com alfinetes entre as pernas à altura dos joelhos de modo a formar uma espécie de calção; no Inverno a blusa de flanela e, pelas costas, o pequeno xaile de lã cruzado no peito, com as pontas presas na cintura; no Verão, uma blusa de chita; nos pés meias e sapatos de carneira ou botas de atacar à frente que chegavam ao joelho, protegendo as pernas e resguardando o decoro do corpo durante o trabalho; a cabeça e o rosto protegidos pelo lenço e pelo chapéu de feltro ou de palha, consoante a época do ano, que eram ostentados com grande garridice.

A vaidade das jovens camponesas no seu porte era de tal ordem que algumas se davam ao cuidado de levarem consigo o “traje de porta”, assim chamado porque era envergado no regresso da jornada de trabalho, às portas da vila, para não se exporem sujas e descompostas quando – de regresso a casa ao fim do dia – tinham de percorrer as ruas. Envergavam então casaquinhas cintadas, blusas de folhos, saias de ramagens, xailes e lenços finos, aventais bordados, colocando no traje toda a garridice que fosse consentida pelas regras da moda, do bom gosto e da decência.

Claro que estas vaidades não escapavam ao escarnecimento dos cantadores de “saias”:

 

 

Estas meninas d’agora,

Só comem meia sardinha;

Andam a juntar dinheiro,

Para a saia travadinha.

 

Pensaste em ser da vila,

Já não ligas aos ganhões;

Vais aos “balhes” do assento

E só queres “trevisões”

 

Tens saia tens avental,

Tens tudo que é preciso;

Só te falta uma coisinha,

Teres na cabeça juízo.

 

 



publicado por Francisco Galego às 16:02
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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