Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Em muitos casos, as cantigas de escarnecer não passavam de uma maneira divertida de expressar, brincando, sentimentos de ternura. De tal modo assim é que, em bastantes casos, sentimos dúvidas sobre a maneira de as classificarmos. Há cantigas de escarnecer tão ternas que mais parecem cantigas de bem-querer. Enquanto que, a ternura de outras que foram classificadas como de bem-querer – por quase roçarem o ridículo –, mais parecerem cantigas de escarnecer. Há também as que não passam de simples e ingénuos trocadilhos.

 

Eu andei de terra em terra,

Até que aqui vim parar;

P’ra agora esta ranhosa,

Pensar que a quero namorar.

 

O cantar da meia-noite,

É um cantar excelente;

Acorda a quem está dormindo,

Alegra a quem está doente.

 

Armou-se esta titarada,

Na manhã da nossa feira;

A Tarata está zangada,

Quer que lhe pague a cadeira.

 

Não sou bonita de espanto,

Nem feia que meta horror;

Mas terei o meu encanto,

P’ra quem me tiver amor.

 

Chamaste-me moreninha,

Eu não sou tão delicada;

Mas em ti que és ruço e feio,

Seria mal empregada.

 

Nunca gostei de beijar,

Uma mulher que se pinta;

Porque sempre que a beijo,

A boca sabe-me a tinta.

 

Ó maçã encarnadinha,

Picada do rouxinol;

Se não fosses tão baixinha,

Entravas para o meu rol.

 

Olhem aqui p’ro meu par,

Que beleza d’hortaliça;

Já mo quiseram roubar,

Fui dar parte à justiça.



publicado por Francisco Galego às 19:46
O DESAFIO ANTIGO


Antigamente o cantar
Era para todos se divertir
Mas hoje quem não pagar
O cantar não vai ouvir

Tornou-se uma coisa afamada
Que vai alem de medida
Quer desafio ou desgarrada
Em qualquer parte é ouvida

Para se cantar ao relento
Como antigamente se cantou
Alguem promete o pagamento
Se é que primeiro não pagou

Foi-se embora o bom tempo
Quando se juntavam os amigos
Todos a cantar ao relento
La na colheita dos trigos

Comia-se e bebia-se
E ninguém pagava nada
Chorava-se e ria-se
Com uma boa desgarrada

Mas começaram a explorar
Esta alegria de gente pobre
Que agora para se ouvir cantar
Pagas ouro prata e cobre

É triste que na nossa nacao
Aonde há tanta ladroagem
Que roubam a nossa tradicao
A sua verdadeira imagem
antonio.oliveira a 1 de Junho de 2012 às 05:04

Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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