Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

No cantar as “saias” não poderiam, naturalmente, faltar as cantigas de escarnecer.

Deve dizer-se que na maior parte dos casos, estas cantigas não passavam de brejeirices, com alguma alarvidade, mas com muito pouca maldade. Procuravam brincar com as palavras e com os sentimentos de forma mais ou menos brejeira ou apenas divertida. Outras vezes, ridicularizavam situações ou realçavam defeitos ou atitudes. O objectivo, na maior parte dos casos, era mais a diversão do que a ofensa pessoal, embora esta, uma ou outra vez, também estivesse presente.

 

Quem tem olivais tem vinho

Quem tem vinha tem azeite,

Quem tem cabras tem presunto

E quem tem porcos tem leite.

 

Minha rua é pequenina,

Batida do vento norte;

O meu amor é zarolho,

Olha a minha negra sorte.

 

As meninas desta rua,

Vêm à porta espreitar;

P’ra verem se por lá passa

Quem as queira namorar.

 

Amar-te e querer-te bem,

Tudo isso eu farei,

Mas andar atrás de ti,

Isso não que é contra a lei.

 

O meu peito é uma morada,

Vem p’ra ela meu amor;

De renda não pagas nada,

‘Inda te fico em favor.

 

Mesmo agora daqui fui,

Já cá estou outra vez;

Venho saber a razão,

Do aceno que me fez.

 

O amor enquanto é novo,

Ama com todo o cuidado;

Depois de se achar servido,

Mostra cara d’enfadado.

 



publicado por Francisco Galego às 19:36
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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