Domingo, 15 de Janeiro de 2012

A perfeição de algumas destas quadras chega a levantar a suspeita de terem uma origem mais erudita, tendo sido aproveitadas pela cultura popular. Aliás, isso acontece com certa frequência em todas as épocas e em todos os lugares. As próprias danças populares sofreram grandes influências das danças de salão, sendo por vezes versões adaptadas das danças que o povo via praticar aos senhores.

Ainda mais um desafio entre homem e mulher sobre a arte de bem cantar:

 

- Vou-me a cantar uma cantiga,

Q’inda hoje não cantei;

Quero ver se a minha fala,

Está como ontem a deixei.

 

- Tens um cantar cativante,

Mas há quem cante melhor;

Há quem cante e até encante,

Aqui em Campo Maior.

 

- Falas assim sem saberes,

O que é cantar como eu;

Tens inveja é de não teres,

Um cantar igual ao meu.

 

- Continuas toda inchada,

E da razão convencida;

Mas p’ra teres voz afinada,

Tens que treinar toda a vida.

 

 

- Não te invejo podes crer,

És vaidoso e petulante;

Minha voz com ser mulher,

Dá-te a volta num instante.

 

- Irei cantar toda a vida,

Digo-te hoje p’ra saberes;

Minha voz já era linda,

Bem antes de tu nasceres.

 

- Já cantas há tanto tempo,

Esse treino te fez bem;

Mas digo-te neste momento,

Ninguém canta como eu.

 

- Canto eu e cantas tu,

Nossa voz dá que falar;

Nós cantando somos um,

Ninguém nos ganha a cantar.

 

 



publicado por Francisco Galego às 19:04
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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