Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

A feira de São Mateus, atraindo gente de todo o Alto Alentejo, tornou-se ponto de encontro das populações que ali acorriam. Por esta razão, as “saias”, cantadas e dançadas por toda esta região no século XIX, tinham ali o seu ponto nuclear de trocas e de irradiação. Em cada terra iam-se preparando ao longo do ano as cantigas e as toadas ou modas que se iriam exibir no São Mateus. Em contrapartida, quando regressavam às suas terras, levavam consigo os sons e as palavras que tinham ouvido nos bailes da romaria.

 

O São Mateus tinha tal efeito mobilizador sobre as gentes de Campo Maior que mesmo os que a Elvas não se podiam deslocar, o celebravam com bailes e arruadas pelas ruas da vila, nos dias da sua celebração.

 

Se não fores ao São Mateus,

Havemos de combinar;

P’ra andarmos aqui na vila,

A noite toda a balhar.

 

Os campomaiorenses tornavam-se notados quer pelo número dos que acorriam à Feira do São Mateus, quer pela qualidade das suas intervenções nos bailes de roda em que se cantavam e dançavam as “saias”, como está documentado nas seguintes quadras:

 

Se eu for ao São Mateus,

Irei balhar c’o meu par;

Mulher que se sabe amada,

Está mais disposta a cantar.

 

Eu quero ir ao São Mateus,

Só para te ouvir cantar;

Não vou lá com outro fim,

Estou velho p’ra namorar.

 

As festas do São Mateus,

São as festas da cidade;

Quem me dera andar bailando,

No Senhor da Piedade.

 

Eu hei-de ir ao São Mateus,

P’ro ano se Deus quiser;

Este ano fui menina,

Pró ano volto mulher.

 

A Feira de São Mateus,

É feira de arraiais,

Eu não tenho rapariga,

Divirto-me com as dos mais.

 

Arraiais de São Mateus,

Vão ganhões e vão malteses;

Adeus, meu amor adeus,

Até d’hoje a doze meses.

 

São Mateus é romaria,

Como outra não há outra igual;

Fica à frente de todas,

Neste nosso Portugal.

 

Eu vou sempre ao São Mateus,

E nunca deixarei de ir;

Ainda que lá dos céus,

Estejam pedras a cair.

 

Meu bem vem cantar comigo.

Na Feira do São Mateus;

Cantigas de amor sentido,

São como preces aos céus.

 



publicado por Francisco Galego às 18:25
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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