Sábado, 01 de Outubro de 2011

As “Festas do Povo” têm-se desenvolvido ao longo de mais de um século em várias etapas que correspondem a sucessivas adaptações às mudanças políticas e sociológicas por que foram passando o país e vila de Campo Maior. Isto sem falar das suas raízes, mais remotas, no início do século XVIII, em que a “Festa” não passava de uma celebração religiosa em honra de S. João Baptista e que tinha lugar no dia 28 de Outubro de cada ano.

Contudo, foi em 1893 que surgiu o modelo que iniciaria o processo que verdadeiramente originou as “Festas” que conhecemos na actualidade. Nesse ano surgiu o primeiro modelo que iria perdurar até meados do século passado e que consistia fundamentalmente em ornamentar os espaços públicos com ramos, com pequenas lamparinas de azeite, com balões de papel para protecção das velas de cera para iluminar as ruas à noite. Os mais abastados, tinham por hábito ornamentar e iluminar os átrios das suas casas que mostravam, mantendo abertas as portas e as janelas. Alguns artesãos construíam habilidosos engenhos ou interessantes cenários que exibiam nos largos ou em frente às suas casas.

 Neste primeiro modelo, as “Festas” consistiam em missa solene, procissão, mastros enramados, touradas, arruadas e concertos pelas bandas, iluminações nocturnas, cantares e bailes de roda.

Nos anos trinta e quarenta do século XX, começaram a aparecer as ornamentações de papel. Primeiro muito timidamente, consistiam em bandeirolas e franjas a ligar os mastros, mas ainda sem flores de papel.

O modelo a que poderemos chamar “das flores de papel”, só surgiu no início dos anos cinquenta. Concretamente foi nas “Festas” de 1952 e 1953 que apareceram as primeiras ruas que fizeram das flores o elemento principal da sua ornamentação. Os mais velhos lembrar-se-ão das “trapaças”, flores muito simples e singelas que substituíram as franjas e as bandeirolas na formação dos tectos e dos cadeados que substituíram os festões em ramagem de bucho.

Foi nesses anos que começou uma nova evolução que não parou até aos dias actuais.

 



publicado por Francisco Galego às 18:08
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