Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

               As Festas, neste ano de 1957, deram um salto qualitativo no que respeita aos espectáculos programados: as corridas de touros deixaram de se realizar segundo o modelo tradicional à vara larga, dando lugar a espectáculos tauromáquicos com toureiros, forcados e cavaleiros profissionais. Antes e durante as Festas, começava a cuidar-se de organizar diversões que atraíssem os forasteiros, publicitando-as ao mesmo tempo que se recolhiam receitas para a sua realização. Nota-se que a dimensão das Festas crescia de tal modo que, a maneira tradicional de recolher fundos com peditório entre a população, já não era suficiente para fazer frente aos pesados encargos que estas comportavam.

Tudo isto indicia as grandes mudanças socioeconómicas que se estavam a operar na comunidade campomaiorense. A pujança alcançada pelas Festas pode ser explicada por estas transformações. Talvez devamos ainda juntar-lhe uma outra mudança sociológica, já antes referida e que se iria acentuar a partir dos finais dos anos cinquenta: a saída massiva de gente em migração para os grandes centros urbanos, principalmente para a cintura industrial da Grande Lisboa e a emigração para os países em processo rápido de crescimento económico. Essas tendências que tanto se iriam acentuar ao longo dos anos sessenta, marcaram profundamente a vida em Campo Maior. Estas modificações foram naturalmente determinantes para a transformação de uma pequena festa de carácter meramente local, num acontecimento que acabou por alcançar a dimensão de que desfruta nos tempos actuais.

            Podemos justamente considerar 1957 como o ponto de partida e o momento de viragem, de toda essa importante e significativa transformação. Porém, novos e importantes acontecimentos iriam determinar um novo período de interrupção. Desta vez , as Festas, ficaram por mais seis anos sem realização.

 

 

LINHAS DE ELVAS, nº 359, 14 de Setembro de 1957

As Festas do Povo registaram a afluência de milhares de forasteiros


               As Festas do Povo de Campo Maior que terminaram em 11 do corrente, atingiram este ano um brilhantismo raro e registaram a afluência de milhares de forasteiros.

               Torna-se difícil descrever com rigor absoluto o que foi essa extraordinária concorrência e, mais difícil ainda, transcrever as exclamações de justificada surpresa e admiração, a cada passo ouvidas da boca dos visitantes.

               Efectivamente, o aspecto da vila era um sonho. As ruas profusas e artisticamente ornamentadas, constituíram um motivo de atracção inigualável e original. Diremos mesmo que, a ornamentação das ruas de Campo Maior constituiu o mais sensacional número do programa e o seu cartaz mais vivo, mais colorido, mais gritante e aliciador. Trazidos por este cartaz, vieram a Campo Maior muitos milhares de forasteiros e das expressões proferidas e por nós ouvidas, uma delas se tornou axiomática: Isto é único no país!

               Estas exclamações ouvidas a cada passo não são um exagero. São a expressão fiel de quem recebeu a mais bela e surpreendente novidade. Com efeito, o que aconteceu nas Festas do Povo de Campo Maior, é único no país.

               Não se descreve. Não se transmite por maior que seja o nosso desejo e o génio criador do repórter. É preciso ver. É preciso viver as horas de sonho que o povo de todas as ruas de Campo Maior sabe criar para sua glória e para alegria e satisfação dos visitantes.

               A tradição destas festas manteve-se este ano no seu melhor nível e o povo da minha terra, o povo bom de Campo Maior, tem jus a que lhe tributemos nestas colunas todo o nosso apreço (…)

               Dos números do programa a cargo das comissões constituídas, também é justo que se diga terem sido criteriosamente elaborados e escolhidos. Ranchos folclóricos, fogo-de-artifício (podia ter sido mais e melhor), corridas de touros (que se devem ao espírito inovador de João Vitorino Paio), cortejo de oferendas, festividades religiosas, bandas de música, Serão para Trabalhadores pela Emissora Nacional (deficiente e extraordinariamente caro para a sua curta duração), bailes, etc., etc.

 

Por Marciano Ribeiro Cipriano



publicado por Francisco Galego às 19:22
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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