Sexta-feira, 08 de Julho de 2011

 

LINHAS DE ELVAS, nº 157, 10 de Outubro de 1953

Festas Passadas


   (…) estas Festas do Povo – e não dos artistas – fizeram reviver em mim o já distante ano de 1927, conhecido pelo ano das Festas Grandes e a que eu tive o prazer de pertencer; que esforço, que dinamismo, que vontade pelo melhor, onde a Comissão e o Povo se irmanaram de tal forma que, aquela marcha nocturna na noite de 12 de Setembro de 1927, em que tomaram parte duas bandas de música, foi qualquer coisa que electrizou o povo e, quando nos cumprimentos ao presidente da Câmara e à casa solarenga dos Viscondes de Olivã, onde, na residência do primeiro se encontravam convidados pela Comissão das Festas, o Ministro Alves Pedrosa, o Comandante da Região Militar, o Governador Civil do Distrito e mais entidades oficiais; e, na segunda, as autoridades eclesiásticas com o Arcebispo de Évora, são momentos inesquecíveis.

   Quero relembrar entre tantos actos festivos, aquele solene Te Deum na igreja matriz, a que não faltou o elemento católico do distrito, aqueles concertos na velha Avenida, aquela inauguração do coreto feito pelo povo, que ali trabalhou e que agora viu transformado em” coreto de relva” (coisa que não se vê na mais recôndita aldeia do país). Aquelas orquestras organizadas pelas bandas e que até altas horas divertiam o povo que dançava, expandindo o prazer e a alegria pelas suas Festas.

   Tudo isto… vem a propósito da completa ausência de números e atracções mas, como poderia o nosso Norberto, com o seu dinamismo, com a sua vontade, com a sua experiência de velho festeiro, fazer em tão pouco tempo e com ausência completa de numerário, algo que se visse?

   Festas passadas – festas novas e mãos à obra e que durante um ano se faça a devida propaganda, que se leve ao conhecimento do Secretariado da Propaganda e Cultura Popular, que as Festas do Povo de Campo Maior precisam do seu auxílio e do seu amparo, para que se tornem conhecidas da maioria do país como as mais lindas festas, os mais lindos trabalhos que, sem artifício mas com simplicidade, sabem fazer as mulheres da mais linda terra do Alentejo. Que à Comissão do novo ano não falte coragem, não falte vigor e, sobretudo, auxílio dos que podem, com as autoridades oficiais no primeiro plano e com a vontade inquebrável do bom povo desta Leal e Valorosa Vila, saibamos todos, homens e mulheres, fazer o que se não tem feito – tornar conhecida a terra e o povo dos nosso maiores.

   Que as Festas do Povo sejam o elo entre as várias classes e que, no novo ano, se irmanem no enfeite e trabalho…

 



publicado por Francisco Galego às 19:05
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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