Sábado, 25 de Junho de 2011

As festas nos anos 50 (3)

 

Mais uma vez, a intenção da anualidade das festas, aqui vai ficar testemunhada. As festas vão realizar-se no ano seguinte, no ano de 1953, procurando manter o que se julgava ser a tradição praticável mas que, devido a acontecimentos vários, era constantemente interrompida.

As Festas de 1953 atingiram um brilho inesperado, trazendo à memória dos mais velhos as saudosas Festas Grandes de 1927. É que, tal como estas, as Festas do princípio dos anos cinquenta, deixaram de ser promovidas por instituições e passaram de novo a ser organizadas por uma comissão constituída por artífices, como tinham sido até aos finais dos anos vinte.

 

 

LINHAS DE ELVAS, nº 154, 12 de Setembro de 1953


Notícias de Campo Maior – As tradicionais Festas do Povo


   Como tinha sido anunciado, realizaram-se nesta leal e valorosa vila de Campo Maior, nos dias 6, 7, 8 e 9 de Setembro, as populares Festas dos Artistas, este ano a favor da Cantina Escolar e da Santa Casa da Misericórdia.

   As ruas vistosas e artisticamente arranjadas, diferentes todas, apresentavam-se bonitas, garridas e mereceram dos milhares de pessoas que as visitaram os mais rasgados e merecidos elogios.

   Efectivamente, é de louvar este esforço colectivo de um povo artista, capaz de realizações desta natureza e levadas a cabo, note-se bem, a expensas particulares.

   Merecia Campo Maior das entidades oficiais protecção eficaz, propaganda verdadeira, tanto mais que estas festas são de acentuado cunho popular. Este espectáculo das ruas floridas é único em todo o país e devia ser conhecido de todos os portugueses. Para tanto, é necessário, propaganda em todos os sentidos, bairrismo extreme, programas mais variados e tudo o mais que se puder fazer, para que ao visitante se proporcionem umas festas de sonho.

   No programa das festas estiveram incluídos os seguintes números a que assistiram imensas pessoas: alvoradas e concertos pelas bandas de Campo Maior e Elvas; festividades religiosas em honra de S. João, padroeiro da vila; bailes populares; vistoso fogo-de-artifício e ainda um magnífico espectáculo de variedades, conseguido por Guilherme Ruiz e apresentado na Praça da República, também decorada e ornamentada a primor.

   O vasto e alegre recinto recebeu uma multidão numerosa que foi assistir ao grandioso festival e no qual actuaram os categorizados artistas: Luís Piçarra, Fernanda Peres, Margarida Amaral, Gina Maria, Eduardo Futre, os bailarinos excêntricos Geny e Bel Guerra; Casimiro Ramos e Castro Mota. A locução esteve a cargo de Mimi e Hernâni Muñoz, tendo Guilherme Ruiz, da Comissão das Festas, proferido antes do espectáculo, um caloroso discurso em que evocou as origens remotas das Festas dos Artistas, explicou a sua projecção no campo popular e beneficente e terminou, com muitos aplausos, exortando o povo de Campo Maior para que continue a tradição, apresentando estas maravilhas de cor e beleza que são as ruas de Campo Maior, no Alto Alentejo, nestes primeiros dias de Setembro.

   O trabalho dos artistas agradou completamente (excepção feita à orquestra Odeon) não lhe regateando o público fortes aplausos, não obstante a desagradável espera de uma hora que todos sofreram pelo começo do espectáculo.


Marciano Ribeiro Cipriano



publicado por Francisco Galego às 16:08
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