Segunda-feira, 13 de Junho de 2011

 

Os Anos 50

 

Para as Festas do Povo de Campo Maior um novo ciclo ia começar. Preparavam-se novas adaptações na continuidade de uma já longa tradição.

 

Em 1950 falava-se novamente de Festas; mas estas só voltariam a realizar-se em 1952, 1953 e 1957. E, quando regressaram, as Festas voltaram para se renovarem, pois nestes anos dão-se algumas inovações a nível das ornamentações e das estruturas de decoração das ruas.

Embora se mantivesse o esquema tradicional, havia uma maior preocupação com a decoração dos “tectos” que deixaram de se limitar às formas tradicionais das franjas, cadeados, lenços e mantilhas, adquirindo uma maior riqueza ornamental. As flores artificiais multiplicaram-se em formas cada vez mais originais e elaboradas, as “entradas” feitas de caniços, deram lugar a estruturas construídas em materiais mais consistentes e com maior apuro decorativo, tornando-se um elemento essencial na ornamentação das ruas.

 A grande cintura de hortas que rodeavam a vila e que garantiam o seu abastecimento em frescos, começou a desaparecer. Assim, as sebes que protegiam as culturas mais mimosas da acção nefasta dos ventos e que forneciam o revestimento de verdura de buxo e murta que tinham, desde a origem das Festas, constituído o material mais usado na decoração das ruas para revestimento dos paus e das cordas, foi-se tornando cada vez mais difícil de obter. O papel tornou-se rei como material base na decoração das ruas.

Cada rua procurava esmerar-se na descoberta de novos elementos: cordas de torcidos, tectos que são autênticos túneis de flores, entradas espectaculares em simbologia e em execução, ruas que reproduzem pomares, roseirais e flores que, de tão bem executadas, competem em graça e requinte com as naturais.

A Festa que fora "dos artistas", transfigurou-se numa espantosa manifestação de um povo artista.

A criatividade campeou de tal  modo por toda a parte que, num desses anos, mesmo numa família muito pobre e muito numerosa, os Piedade tiveram a brilhante ideia de enfeitar a sua pequena rua, tão pequena que é chamada de Caleja, forma castelhana de dizer ruínha, utilizando exclusivamente como material, papel de jornais. O efeito foi espectacular, pela surpresa e pela criatividade de uma pobreza assumida e orgulhosamente ultrapassada de uma forma genial, pela sua originalidade.

 



publicado por Francisco Galego às 20:41
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