Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

OS ANOS 40 (I)

 

Em Junho de 1940, no âmbito das comemorações do centenário, é inaugurada na Praça do Império, em Lisboa, a Exposição do Mundo Português, concebida como uma exaltação simultânea dos grandes feitos da pátria e da integração dos territórios ultramarinos no conjunto da nacionalidade. Apesar de alguns focos de descontentamento, quer do sector laboral, quer entre os estudantes e os intelectuais, os anos seguintes decorreram com alguma tranquilidade. O regime tinha criado as estruturas necessárias para assegurar a sua defesa e manutenção.

            Embora os governos, português e espanhol, tenham assumido conjuntamente o compromisso de evitar o envolvimento directo no conflito mundial, os anos quarenta foram anos de grandes dificuldades, devido aos efeitos provocados pela guerra. As dificuldades de abastecimento de produtos essenciais para as populações, provocou grandes restrições no consumo. Era enorme a falta de bens essenciais, tendo de se recorrer ao racionamento para assegurar o abastecimento mínimo das populações. A escassez produzia o aumento exagerado dos preços e, face à política de contenção salarial, as condições de vida não paravam de se agravar.

            No Alentejo em geral e, particularmente em Campo Maior, a situação das classes trabalhadoras atingiu dimensões de grande miséria, devido aos baixos salários dos trabalhadores agrícolas e ao carácter sazonal dos trabalhos no campo, que colocavam no desemprego grande parte da população, durante uma grande parte do ano. A situação era persistente e difícil, pois atingia foros de catástrofe sempre que uma seca mais prolongada, ou que chuvas mais abundantes, impediam as tarefas agrícolas ou destruíam as sementeiras, comprometendo as colheitas.

            Nestas condições, difícil seria esperar que houvesse tendência para festas ou diversões. Todas as capacidades e energias se concentravam no esforço para assegurar, até ao limite da resistência, as condições mínimas para sobreviver. Nesta conjuntura, as festas realizaram-se apenas duas vezes na década de quarenta: em 1941 e 1944. Mas, tanto num ano como no outro, isso só aconteceu devido à intervenção de um organismo corporativo – A Casa do Povo de Campo Maior.

 

Jornal de Elvas, Nº 681, 10 de Agosto de 1941

 

FALTA DE GÉNEROS

   Mais uma vez se chama a atenção para quem competir, para que sejam dadas as devidas providências no sentido de que, aos comerciantes de géneros alimentícios, lhes sejam fornecidos, pelos respectivos Grémios e armazenistas, quaisquer quantidades de géneros, para poderem vender a retalho aos seus fregueses. Os géneros que mais faltam no mercado são: açúcar, arroz, bacalhau, sabão, toucinho, banha de porco e manteiga de vaca.


FESTAS DO POVO

   Acabamos de saber que as Festas do Povo, que este ano são patrocinadas pela Casa do Povo desta vila, têm o seu início no dia 28 de Setembro, data em que vai ser inaugurado o cruzeiro da independência de Portugal, que está colocado no histórico castelo desta localidade.

 

 

Jornal de Elvas, Nº 687, 28 de Setembro de 1941

   Começaram ontem as Festas do Povo, promovidas pelo Grupo Desportivo da Casa do Povo, por ocasião da bênção e inauguração do Cruzeiro da Independência de Portugal.

   A fim de inaugurarem o Cruzeiro, Casa do Povo, Quartel da Legião Portuguesa e o estádio Capitão César Correia, estão nesta vila os Exmos. Srs.

Arcebispo de Évora, Sub-Secretário das Corporações, e General Comandante da Legião Portuguesa.

   As ruas estão ornamentadas com muitas verduras, bandeiras, flores naturais e artificiais.

 

Aqui está claramente denunciado o objectivo político que levou a esta realização. Além da inauguração do Cruzeiro, guardou-se também para esta data a inauguração da nova sede da Casa do Povo. Outras inaugurações importantes preparadas para o mesmo dia foram a sede local da Legião Portuguesa que ficou contígua ao quartel da Guarda Fiscal, o Lactário-Creche Santa Beatriz, na Casa do Povo e o campo de futebol construído no sítio onde antes tinha existido o demolido Forte das Pesetas ou da Traição.

 

Jornal de Elvas, Nº 687, 28 de Setembro de 1941


   Começaram ontem as Festas do Povo, promovidas pelo Grupo Desportivo da Casa do Povo, por ocasião da bênção e inauguração do Cruzeiro da Independência de Portugal.

   A fim de inaugurarem o Cruzeiro, Casa do Povo, Quartel da Legião Portuguesa e o estádio Capitão César Correia, estão nesta vila os Exmos. Srs.

Arcebispo de Évora, Sub-Secretário das Corporações, e General Comandante da Legião Portuguesa.

   As ruas estão ornamentadas com muitas verduras, bandeiras, flores naturais e artificiais.

 

Aqui está claramente denunciado o objectivo político que levou a esta realização. Além da inauguração do Cruzeiro, guardou-se também para esta data a inauguração da nova sede da Casa do Povo, que antes já tinha estado numa casa da Mouraria de Baixo, logo na porta acima da entrada principal da sede actual. Depois mudara para o prédio fronteiro à Igreja de São João, seguidamente estivera programada a sua mudança para os Cantos de Baixo,no prédio que faz esquina com a rua da Misericórdia, nos altos do desaparecido comércio do senhor José Pina, vindo finalmente a ocupar o Palácio Camarido, onde hoje ainda se encontra.

Outras inaugurações importantes preparadas para o mesmo dia foram a sede local da Legião Portuguesa contíguo ao quartel da Guarda Fiscal para o lado de Santa Cruz, no local das actuais Juntas de Freguesia, o Lactário-Creche Santa Beatriz, na Casa do Povo e o campo de futebol construído no sítio onde antes tinha existido o demolido Forte de S. João a que o povo chamava das Pesetas ou da Traição.


 



publicado por Francisco Galego às 17:34
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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