Sábado, 07 de Maio de 2011

AS FESTAS EM TEMPOS DE GUERRA

 

A Guerra Civil de Espanha desenrolava -se com sanha e crueldade do outro lado da fronteira. Para Campo Maior, a guerra estava mesmo aqui ao lado e isso afectava muito a vida e as preocupações das pessoas.

Sobre as Festas dos dois anos seguintes, as notícias são muito escassas. Os elementos disponíveis são insuficientes para se fazer uma análise minimamente fundamentada. Registe-se apenas a certeza de que as festas se continuavam a realizar apesar de o clima geral no país e no mundo ser tão pouco tranquilizador. A luta política estava tão exacerbada que teve também os seus reflexos locais. A imprensa regional deu grande eco a um comício anti-comunista organizado pela Casa do Povo de Campo Maior em 11 de Outubro de 1936, que teve ressonância e em que participaram, através das suas casas do povo, representantes de várias terras desta região. Estiveram presentes várias entidades civis e militares a nível distrital e nacional, tendo mesmo estado presente um representante do governo e um grupo de “falangistas” espanhóis.

A nível interno a situação não estava completamente pacificada. A 18 de Janeiro de 1934, acontecera a primeira tentativa revolucionária para derrubar o regime, com acções desenvolvidas em centros operários, principalmente na Marinha Grande, Barreiro, Seixal e Silves. Em Setembro de 1935 tinha-se dado mais uma tentativa de derrube do regime por golpe militar apoiado por civis republicanos e até por militantes do nacional-sindicalismo liderados por Rolão Preto, um movimento de extrema-direita. Em consequência, muitos opositores foram presos, tendo sido criado o Campo do Tarrafal, que iria funcionar até à década de cinquenta e onde iriam morrer alguns dos opositores ao regime. Um ano depois, em 8 de Setembro de 1936, marinheiros da Armada, tentando desencadear uma revolução popular, ocuparam três barcos de guerra fundeados no Tejo, frente a Lisboa. Em 4 de Julho de 1937, Salazar escapou por pouco a um atentado à bomba organizado por anarquistas.

 

 Brados do Alentejo, Estremoz, 29 de Agosto de 1937

Festas de Setembro

Para estas importantes festas, que este ano se realizam em 5, 6, 7 e 8 de Setembro, já foram distribuídos os programas. As festas constarão de festas de igreja, procissão, arraiais, fogos-de-artifício, feira franca e de gados, touradas, ornamentações em diversas ruas, gincana automobilística, iluminações eléctricas e à veneziana, etc. Haverá três valiosos prémios para as três ruas melhor ornamentadas, estando já a trabalhar-se nesse sentido.

 

 Brados do Alentejo, Estremoz, 26 de Setembro de 1937

Festas de Setembro

   Conforme se esperava resultaram brilhantíssimas as Festas de Setembro. A parte religiosa foi um primor. As touradas esplêndidas, sobressaindo muito o cavaleiro José Corado, o “Coradinho” e a banda taurina “os formidáveis” . As ornamentações das ruas como ano nenhum. As três noites de fogo esplêndidas e os concertos musicais a mesma coisa. A nova feira magnifica, tendo os feirantes feito bom negócio. Os forasteiros, em diversos meios de transporte, contavam-se aos milhares.



publicado por Francisco Galego às 14:29
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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