Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

Jornal de Elvas, Ano 9º, Nº 352, 7 de Setembro de 1934


AS FESTAS DE CAMPO MAIOR


   A progressiva vila de Campo maior, situada num recanto do nosso querido Alentejo, esteve em festa nos dias 2, 3, 4 e 5.

   A risonha vila, mercê do temperamento progressista que invade os cérebros dos seus filhos, tem ultimamente subido na escala do progresso duma maneira notável, caminhando sempre sem um único desfalecimento.

   As suas festas, ‘Festas do Povo’ revestiram-se de uma característica especial, sob todos os aspectos interessantíssima e original. Trata-se da ornamentação das ruas cujos moradores disputam, com invulgar entusiasmo, o ‘Prémio da Comissão.

   Semelhante número, repleto de cor e garridice, engrandece sobremaneira o programa dos festejos sendo, certamente, o que mais atrai a presença dos forasteiros.

   A beleza das ornamentações, a intuição, a originalidade das decorações, são bem o índice onde se nota, logo à primeira vista, o gosto daquele laborioso povo, incansável em extremo, de promover o seu torrão.

   Ruas houve, engalanadas a capricho, que deliciaram a nossa vista.

   Nestas circunstâncias e sem pretendermos ferir o orgulho dos moradores das outras ruas que também admirámos, colocamos quanto ao nosso gosto, no primeiro plano, as ruas do General Magalhães e Visconde de Seabra.

   Aquela, pelo grandioso trabalho que os seus moradores tiveram de desenvolver, num conjunto harmonioso de cenas, cuja estética nos impressionou deveras e esta, pela originalidade da sua ornamentação.

   Os xailes de papel, bem acabados, que pendiam por sobre a rua, davam-lhe uma nota triunfal de beleza, sendo a entrada constituída por um ‘arco’ tendo de cada lado pintados uma camponesa que aborrecidamente exclamava:

                                      Ando triste e assustada

                                      Inté me pula o coração

                                      Ganhará a nossa rua

                                      O Prémio da Comissão?

E um camponês que alegremente lhe respondia:

                                      Meu amor minha aligria

                                      Não andes nessa encerteza

                                      A nossa rua Maria

                                      Ganha o prémio concerteza.

   E quem sabe se o alegre camponês, com a ideia de acalmar os nervos à sua mais que tudo, inspirou magicamente, a opinião abalizada dos componentes do júri.

 



publicado por Francisco Galego às 15:36
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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