Segunda-feira, 04 de Abril de 2011

Depois de 1928 e por cinco anos consecutivos, as Festas não se voltaram a realizar. Cremos que, mais uma vez, como consequência dos acontecimentos políticos, pois esses anos coincidem com o período em que se está a gerar a nova situação que iria ser designada como o Estado Novo e que consistiu em constituir um regime de Estado corporativista, segundo as orientações doutrinárias e a liderança de António de Oliveira Salazar, constituído como Presidente do Conselho de Ministros.

Significativamente, quando o novo poder se consolidou, com a aprovação da nova Constituição, as Festas voltaram, mas agora promovidas por outra gente e numa sociedade politicamente estruturada de modo diferente.

 

Jornal da Situação, Portalegre, Nº 31-32, 2 de Setembro de 1934

Festas do Povo

   Nenhuma terra de Portugal tem uma festa tão tradicional que se possa apelidar com tanto direito de Festas do Povo, como esta de Campo Maior.

   Ruas de lés-a-lés, cheias de flores naturais e artificiais, curiosíssimos trabalhos de enfeite, que formam um lindo parque entre os seus 1.203 prédios urbanos.

   Em poucas linhas contar-lhes-ei quanta alegria expandem estas 8.300 almas ao verificarem a transformação do sonho em realidade, depois de um ano de constante labuta pelo pão de cada dia.

   Todo o ser humano tem direito a momentos de gozo; deve pois, ter sido este o principal motivo, que levou os nossos antepassados a criarem as festas populares; porque o espírito do trabalhador necessita de divagar, folgar, rir, viver feliz enfim.

   A mocidade campomaiorense quando verifica que o proprietário e o lavrador, vão colher boa seara, o que é quase garantia de trabalho para o futuro ano agrícola, organiza uma comissão de representantes de várias profissões, para levar a efeito as Festas do Povo. Aquela então, batendo de porta em porta, junta o necessário para as despesas a fazer com as bandas de música, fogos de artifício, procissão do Padroeiro da vila, etc., etc.

   Outras quantas comissões quantas as ruas, são constituídas e, durante uns dias, após o dia de trabalho, homens e mulheres vão passar o serão que é cheio de sorrisos e cantigas entre namorados, a fazer bandeiras, campainhas e flores de papel, para as colocarem com fino gosto nas ruas a que pertencem.

   Chegado o dia 2, rompe a alvorada dos campanários, estalejam os foguetes, a vila anima-se cheia de galas e de flores e começam então as Festas do Povo (…)

                                                              Pedro Augusto Vitorino

 



publicado por Francisco Galego às 15:07
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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