Sexta-feira, 04 de Fevereiro de 2011

No DIÁRIO D´ELVAS de 14 De Agosto de 1895, escreveu-se que:

 

-       Decorridos são já quatro decénios que antigas gerações assistiram aqui aos mais brilhantes festejos que se têm celebrado em Portugal ao precursor de Cristo, (S. João Baptista)…

Ainda hoje soam os ecos laudatórios (elogiosos) do brilhantismo desses festejos, que se passaram aos olhos do povo, a sua memória tornou-se latitudinária (rumo a seguir) pelas novas gerações.

Não se apagou realmente na alma dos novos a ideia tradicional dos festejos comemorativos a S. João Baptista.

A Comissão iniciou os festejos em 1893 e por forma tal se houve, que o êxito brilhante, excedendo a expectativa, foi laureado com a satisfação geral que promoveu o progresso e o lustre das festas. O povo, tomando sobre si o (…) trabalho da ornamentação das ruas que ofereciam à vista um aspecto encantador e fantástico, nos anos anteriores, prepara para este ano atraentes e maravilhosas novidades… que serão apreciadas por quem visitar esta vila nos dias 31 do corrente e 1.2, e 3 de Setembro.

Na ornamentação das ruas predomina, a par do bom gosto, o estudo de um ano, dentro do qual cada cérebro elabora, retém e prepara os atractivos que há-de mostrar aos visitantes.


Desta notícia podemos concluir que:

-       As festas retomadas em 1893, procuravam dar continuidade a uma tradição interrompida por quatro décadas, logo desde o tempo em que João Dubrás lhes fizera referência na sua obra, em 1869;

-       Que as festas exigiam preparativos que ocupavam as pessoas pelo espaço de quase um ano na sua concepção e realização;

-       Que ao retomarem a antiga tradição, lhe anteciparam a data de modo a que as Festa se realizasse não em 28 de Outubro, mas em finais de Agosto, princípios de Setembro, ou seja, para um período mais seguro em termos de condições climáticas, o que era muito importante numa festa que consistia em enfeitar as ruas com ornamentações de papel;

-       Que se aumentava o tempo da sua duração, centrando-se num fim-de-semana, ocupando os dois dias finais da semana anterior e dos dois primeiros da sua sequente;

-       Que as festas, pela sua designação continuavam ligadas ao culto de S. João, patrono de Campo Maior e símbolo emblemático do seu brasão.

 

Creio poder concluir-se que o modelo básico que configurou até aos nossos dias as Festas de Campo Maior, ficou traçado desde finais do século XIX, embora radiquem numa tradição cujos antecedentes recuam até ao século XVIII.



publicado por Francisco Galego às 18:36
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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