Quinta-feira, 05 de Janeiro de 2017

Aqui ao lado, os vizinhos espanhóis comemoram “Los Reyes”. É o grande dia de troca de presentes. De certo modo, aquilo que nós fazemos no Natal e que  outros celebram no Ano Novo.

Natal, Ano Novo, Dia dos Reis. Dias de renovação e de esperança.

Dias de sonhar “Utopias”! ...

 “Utopia” significa, literalmente, “um não local”. Na verdade, usa-se para significar que se trata de algo que, não estando em nenhum lado, é algo que não existe. Mas, é também muito verdade que o sentido mais frequente que lhe é dado, é o de algo que não existe, mas que se deseja alcançar. Ou seja, a utopia é sonho e é aspiração. É desejo e é projecto para melhorar o estado das coisas ou a situação que se vive.

A “Utopia” aparece no pensamento de filósofos e poetas, como futuro imaginado, esperança de algo que resolva os problemas do presente.

Mas, haverá, no tempo que vivemos, lugar para a “Utopia”?

Esta evocação levou-me a pensar que um dos problemas deste tempo presente, é que tenha deixado de existir o consolo dos projectos utópicos que nos alimentem a esperança. Pensando bem, o grande problema é que vivemos sem modelo orientador. Vivemos ao sabor dos impulsos. Uns vivem movidos pela ambição. Outros conformados, tentando garantir a melhor maneira de sobreviverem. O pensamento vai dando lugar ao entretenimento. A acomodação conformada vai ocupando o lugar que devia ser o da persistência para cumprir um projecto de vida.

Tenho consciência de que há nisto um pessimismo que pode parecer demasiado radical. Mas, na verdade,  trata-se apenas de um desabafo, fruto de um crescente desencanto.

Por isso, tento reagir e, parafraseando Fernando Pessoa, afirmar: Sem a Utopia (1) o que é o homem mais do que a besta sadia, cadáver adiado que procria?

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(1) Fernando Pessoa escreveu que O homem é do tamanho do seu sonho.

Realçando a importância do sonho e da utopia,  no seu poema D. Sebastião, Rei de Portugal, escreveu:

Sem a loucura que é o homem

Mais que a besta sadia,

Cadáver adiado que procria?

 

 



publicado por Francisco Galego às 23:28
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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