Domingo, 17 de Outubro de 2010

 

O Jornal de Notícias, Nº 37 de 15 de Novembro de 1928, na sua página 4, noticiava:

 

A empresa Ramos & Valente instalou num casão do Assento Militar um salão cinematográfico, tendo, para isso, efectuado ali algumas obras de adaptação.

A nova casa de espectáculos compõe-se de: sala para o público dividida em duas classes de lugares (geral e superior) com um pequeno palco para variedades; vestíbulo com bufete, bengaleiro e retretes com autoclismo, para senhoras e cavalheiros; casa de aparelhos, motor, depósitos de água, etc.

A inauguração teve lugar no dia 1 de Novembro do corrente ano, a benefício da Misericórdia, tendo o produto líquido sido de 573$00.

A casa estava à cunha e, se bem que se trate de uma instalação provisória e modesta, é de esperar que continue sendo muito frequentada, por não haver em Campo Maior qualquer outra diversão para entreter os longos serões de inverno.

O programa do espectáculo inaugural é que foi infeliz: duas fitas do mesmo género policial, tanto do agrado dos americanos, com muitas mortes, muitas correrias, muitas cenas de murro, trambolhões, etc., etc., pelo que no público das cadeiras se notava visível aborrecimento.

Aconselhamos a empresa a precaver-se contra os fornecedores que vão sempre impingindo gato por lebre.

Os programas mais atraentes e que ao público mais agradam, são aqueles em que se entremeiam filmes de arte, documentários e actualidades de carácter instrutivo, com pequenas farsas e comédias ligeiras, de fins meramente recreativos.

Outra coisa notamos também, para o que chamamos a atenção da empresa e da autoridade administrativa: na sala fumava-se à vontade, tornando a atmosfera pesada, o que não dispôs bem as senhoras que lá se encontravam. Cremos que está ainda em vigor o regulamento que proíbe que se fume nas casas de espectáculo e a polícia, a quem a empresa paga, não deve fechar os olhos.

Para terminar, felicitamos os nossos amigos Srs. Ramos e Valente e fazemos votos para que o público saiba corresponder à sua iniciativa que representa alguma coisa de importante no nosso meio, onde o capital raras vezes acorre a financiar empresas desta natureza.

 




publicado por Francisco Galego às 17:06
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