Domingo, 18 de Julho de 2010

 

Na década de 20 surgem também os primeiros grandes ídolos da bola como Francisco Stromp e Jorge Vieira no Sporting, Cândido de Oliveira no Casa Pia e Pepe no Belenenses. Aliás, este fenómeno foi em grande parte impulsionado pelo aparecimento dos chamados rebuçados da bola, os pequenos caramelos vendidos a preços acessíveis, embrulhados em pequenos rectângulos de papel com fotogramas dos jogadores: os famosos bonecos da bola. Estes bonecos, coleccionáveis em bonitas cadernetas, surgiram com os clubes de Lisboa em meados dos anos 20 e depressa se divulgaram por todo o país, as equipas que disputavam a 1ª Divisão Nacional. Os bonecos vão ter uma aceitação  tão grande que, desde meados dos anos 20 até aos anos 50, vão constituir a maneira mais eficaz de levar a todos os recantos o conhecimento físico das equipas e dos jogadores, num tempo em que a rádio se começava a divulgar transmitindo os relatos em directo dos encontros, mas em que ainda nem sequer se falava da televisão. Num tempo de grandes dificuldades económicas, num tempo profundamente marcado pela guerra, os bonecos eram cuidadosamente empilhados, guardados como pequenos e preciosos tesouros nos bolsos dos calções. Estabelecia-se uma verdadeira bolsa de trocas porque havia bonecos mais difíceis de obter e que, por isso, chegavam a valer por dez ou mais dos outros. Eram também utilizados como valores que se arriscavam em jogos de azar ou sorte como o berlinde, o pião, as cartas, o rapa-tira-põe.  Este mercado permitia aos menos favorecidos obterem as figurinhas que os mais abonados possuíam com maior abundância. Todos os meios eram lícitos para se atingir o objectivo fundamental: completar a caderneta. Na verdade apenas um podia chegar a completá-la porque o famoso número da bola só vinha num dos rebuçados e eram os mais dotados de dinheiro que podiam arrematar o fundo da lata.

Conseguia-se assim obter o mais desejado dos prémios: uma bola de couro e cautechu, igualzinha às que eram usadas nos jogos à séria. Daí que os famosos bonecos, ao mesmo tempo que divulgavam os Peyroteos, os Espirito Santos, os  Matateus, os Travassos e os Arsénios, cumpriam uma outra função de divulgação do futebol: espalhar pelo país as bolas que permitiam praticar o jogo em situação aproximada à preconizada pelas regras, o que era muito importante numa época em que predominava a redondinha de trapos.



publicado por Francisco Galego às 09:10
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