Segunda-feira, 07 de Junho de 2010

Como chegou a Portugal?

 

Em Lisboa, foi um estudante em Inglaterra que trouxe consigo a primeira bola de futebol. Na Madeira, como no Algarve, são marinheiros ingleses que mostraram aos locais o novo jogo da bola. No Porto, foram os ingleses aí estabelecidos em volta dos negócios do vinho.

Em Portalegre, segunda cidade a ter constituído uma federação de futebol,  terão sido os ingleses ligados ao negócio da cortiça a introduzir o novo desporto nos hábitos da cidade. Segundo um artigo de A Voz de Portalegre, George Robinson em 1847 adquiriu uma pequena  fábrica de cortiça que tinha sido fundada dez anos antes por outro inglês, Tomaz Reynolds. Seu filho George Wheelhouse Robinson, nasceu em Portalegre em 1857 e aí morreu em 1932. Foi educado na Inglaterra nas escolas de Doncaster e Leedon. Mas passava as férias em Portalegre e aí regressou terminados os estudos. É difícil não estabelecer a relação entre a sua presença na cidade e a práctica do futebol que começou em tempos tão remotos. Com poucas diferenças, estes factos verificam-se nas últimas décadas do século XIX.

Contudo, em Portugal, por esse tempo, as coisas não corriam de feição para os ingleses. Os nossos mais antigos aliados tinham, através de sucessivas atitudes de arrogante e assumida sobranceria, afrontado os sentimentos nacionais do povo português. Primeiro, fora o aproveitamento da ausência do rei no Brasil e a nossa necessidade que nos viessem socorrer contra as Invasões Francesas. Vieram e ficaram. Ficaram e dominaram como se de uma colónia sua se tratasse. Foram compelidos a retirarem-se pela Revolução Liberal de 1820. Com o tempo, o povo português foi esquecendo esse antigo ressentimento. A necessidade e o interesse voltaram a aproximar-nos dos ingleses. Mas, já para o fim do século XIX, novas mágoas vão ditar novos ressentimentos: A Inglaterra, com as outras grandes potências europeias, lançou olhares de cobiça e de venalidade para uma África prenhe de recursos naturais, matérias-primas para as suas indústrias. Reunidos na Conferência de Berlim, negaram os direitos históricos de Portugal sobre o continente africano. Pretenderam dividir entre si a África, ditando o direito da capacidade de ocupação efectiva.

Portugal, atrasado e pobre, procurou salvar o que fosse possível. Mandou à pressa exploradores como Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens fazer o reconhecimento das terras do interior. Foram traçados os primeiros mapas. Portugal procurou definir os seus direitos, assinalando num mapa, a cor-de-rosa, os territórios que reivindicava como de sua pertença. Nesse mapa, o que hoje é Angola ficaria ligado, em continuidade territorial, ao que hoje é Moçambique. Ora, tal pretensão ofendeu as ambições inglesas que queriam assegurar a ligação das suas colónias do norte com as do sul do continente africano.

A reacção foi brutal porque, além de rasgar a mais antiga aliança entre dois países europeus, ameaçou com o imediato recurso à força das armas contra Portugal se este não se submetesse às exigências da Inglaterra.

Que poderia fazer o rei e o governo de um país tão atrasado, tão pobre e tão dependente como Portugal?

Os governantes cederam à lei do mais forte. Mas o povo português não podia aceitar nem perdoar. Um ódio nacional forte e intenso polarizou-se em tudo o que fosse inglês ou que de Inglaterra viesse. Ora, tudo isto acontece na altura em que o futebol acabava de chegar ao nosso território e nele começava a dar os primeiros pontapés. Até tinham começado a organizar-se os primeiros clubes e a disputar-se os primeiros matches.

O entusiasmo inicial esfriou. O futebol chegou a ser

depreciativamente tratado por jogo do coice. Apesar disso, ainda que de forma reservada, quase às escondidas, continuou a ser praticado, principalmente pelos ingleses que aqui continuavam a residir.

Quando melhores dias trouxeram ao povo razões para esquecer antigas mágoas, o futebol pôde voltar a emergir. E, com que força. Em menos de duas décadas expande-se por todo o país. As duas primeiras décadas do século XX foram os anos de proliferação da prática do futebol no nosso país. Surgiram os primeiros clubes.  Alguns nunca iriam passar de pequenos clubes de bairro. Outros, tornaram-se os grandes clubes de hoje.

 



publicado por Francisco Galego às 09:19
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