Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Pirro, foi um rei do Épiro, país que se situava a norte da Grécia, junto ao mar Adriático. Viveu entre 318 e 272 a.C. Nasceu, no ambiente conturbado que se vivia naquela região depois da morte de Alexandre Magno e da desagregação do imenso império que ele tinha conquistado na parte oriental do Mediterrâneo.

Pirro subiu ao trono com apenas 12 anos. Foi destronado e conseguiu depois reconquistar o poder. Aos 20 anos era já uma figura lendária, tantas eram as situações porque passara e tantos eram os conflitos em que tinha participado.

Tendo recebido uma excelente preparação militar, dera provas de grande bravura e de capacidade como estratego nos muitos combates que travara. Táctico de génio, era, contudo, medíocre como político. Faltou-lhe o sentido do concreto e não teve capacidade para avaliar a força real de que dispunha. Por isso, sonhou chegar muito além do que realmente podia almejar.

Tomava como modelo Alexandre Magno que unificara o Oriente até ao Indo e aos confins do Egipto. Concebeu para si o projecto de se tornar o grande unificador do Ocidente.

Em cumprimento dos seus planos megalómanos, depois de vários êxitos militares na sua região, acudiu ao pedido de auxílio das cidades gregas do sul da Itália, que lhe pediam ajuda contra os romanos que estavam em plena fase de expansão.

Atravessou o Adriático com os seus exércitos de 25 mil homens e 20 elefantes. Travou duas importantes batalhas contra os romanos: a de Heracleia, em 280 a. C., e a de Ausculum (Ascoli), em 279. C.

A decisão destes recontros pareceu ter sido favorável ao exército de Pirro. Mas, tinha sofrido baixas tão grandes que, estando tão longe da sua terra, dificilmente poderia receber reforços. Conta-se que, num momento de lucidez em que estava a ser cumprimentado pela vitória, Pirro terá comentado: “Pois! … Mais uma vitória como estas e estarei completamente vencido”.

Verdade seja que, a partir daí, Pirro não mais conheceu a vitória. Depois de uma tremenda derrota, em 275 a.C., na Batalha Meleventum, Pirro ficou reduzido a 1/3 do seu exército. Teve de retirar para o Épiro onde morreu em 272 a.C. (Os romanos mudaram o nome desta batalha para Beneventum, tal como os portugueses, muitos séculos depois, mudaram o nome de Cabo das Tormentas para Cabo da Boa Esperança). Esta situação histórica pareceu sempre tão paradigmática que até hoje se diz que houve uma “vitória à Pirro”, sempre que as consequências que dessa vitória resultam são tão nefastas que mais valia que ela não tivesse acontecido.

 

A que propósito vem esta história?

A propósito da minha profunda convicção de que o conhecimento da História pode ser muito útil para melhor fundamentarmos as decisões que temos de tomar ao longo da nossa vida. Neste sentido, podemos usar a História como uma autêntica mestra de vida.

Mas vem, sobretudo, a propósito da tendência, que os homens, tanto individualmente como associados em grupos ou em instituições, têm para se envolverem em situações e projectos sem avaliarem bem as consequências que daí podem advir.

Chega às vezes a ser dolorosa a constatação de como, com tanto esforço, tanto empenho e tanta determinação, se está de facto a caminhar no sentido que menos conviria ter seguido. Mais doloroso ainda é assistir à celebração de vitórias que se pode desde logo perceber que trazem mais incómodos que vantagens. Ou que as vitórias são apenas aparentes porque, na realidade, os vencedores ficam tão fragilizados que mais valia não se terem desgastado em tão inúteis combates.

De que serve envolvermo-nos em lutas que, se tivéssemos avaliado, com justo critério as circunstâncias, a capacidade e as probabilidades de êxito, teríamos compreendido que não preparavam realmente o êxito que pretendíamos alcançar?

Que sentido faz lutar por causas que, bem analisadas, não trazem efectivamente vantagens reais?

Estamos a viver tempos de pouca ponderação, de muito barulho e muita agitação, sem que se façam prévias e fundamentadas análises das situações.

Porque a verdade é, evidentemente, esta: quem parte para a luta sem uma análise clara das consequências ou age com inconsciência, ou está a ser instrumentalizado por quem quer atingir objectivos que podem realmente não coincidir com os nossos. Uma coisa é certa: muitas vezes só se alcançam “vitórias à Pirro” e estas são, às vezes, de efeitos mais desastrosos que algumas derrotas. Pelo menos, as derrotas, se bem analisadas, sempre servem de lição para não voltarmos a repetir os erros que cometemos.


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publicado por Francisco Galego às 10:51
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