Sábado, 05 de Setembro de 2009

Nasci aqui, em Campo Maior, vila raiana do Alto Alentejo, em plena Grande Guerra: a segunda, a de 1939 a 1945. Um conflito que envolveu homens de quase todas as nações e de todos os continentes. Pouco antes, do outro lado da fronteira, fora feito o ensaio geral, com a Guerra Civil de Espanha de 1936 a 1939. Ainda assisti aos efeitos tremendos dessa luta fratricida que dilacerou o povo espanhol, deixando um rasto de miséria que perdurou por muitos anos.

Comecei a tomar consciência das coisas da vida quando a vida era, de facto, muito difícil. Como tive a sorte de não ser dos menos afortunados, não sofri a tormentosa miséria em que vi crescer alguns dos meus companheiros. Tenho consciência plena de que, uma coisa é suportar a carência de quase todas as coisas necessárias a uma vida minimamente decente, outra é ter apenas de ver o sofrimento que essa carência impõe aos que a têm de sofrer.

A guerra é sempre um facto terrível. Mas esta, que estava em curso quando nasci, além dos aspectos tremendos de que se revestiu, teve a suprema importância de significar uma ruptura radical na evolução das sociedades humanas. Claro que as coisas não mudaram logo no tempo da guerra, tanto mais que não tivemos dela uma vivência directa. Mas os efeitos que ela implicou, desencadearam um processo acelerado de mudanças que não mais parou até aos dias de hoje.


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publicado por Francisco Galego às 19:14
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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