Sábado, 15 de Agosto de 2009

 

Permitam que coloque a seguinte questão:

Imaginemos um patrício nosso que, pelos acasos e necessidades da sua vida, foi obrigado a viver noutra terra e noutra comunidade nos arredores de Lisboa ou noutro país distantede de Portugal. Esse nosso patrício para aí levou a sua família, tendo-se os filhos e os netos enraizado na terra de acolhimento perdendo os laços que os ligavam a Campo Maior. Agora que a velhice se aproxima, gostará, por ventura, de regressar à sua terra natal. Mas, gostaria também que os seus filhos e netos o viessem visitar com alguma regularidade. Pois bem! Que poderá Campo Maior oferecer de diferente e aliciante que atraia as novas gerações para fazerem uma visita mais regular e mais prolongada?

Se tivéssemos o mar e as atraentes praias das terras do litoral, bastaria fazer muito pouco para os convencer a virem e a por aqui ficarem em tempo de férias. Mas, o que é que nós, aqui neste interior seco e árido, lhes poderemos oferecer?

Não temos praias é certo. Mas possuímos um riquíssimo património histórico e cultural que bastaria ser bem mostrado e explicado para atrair a atenção e o interesse de quem nos visitar.

Em Campo Maior há (ainda) vestígios de uma história militar que provam quanto esta terra foi importante para a defesa e manutenção desta identidade nacional que continuamos a venerar sob o nome de Portugal. Temos é de nos preparar para saber mostrar e explicar esses vestígios de um passado a todos os títulos significativo e motivo de orgulho justificado. Teremos, portanto, que ter uma política de conservação e dinamização desse património.

Mas o património cultural de Campo Maior não consiste apenas nos muros que restam do passado. Campo Maior não é apenas mais uma  uma terra. É, principalmente, uma terra habitada por um povo que tem uma história e uma cultura muito próprias e com aspectos bem importantes.

As Festas do Povo são a prova maior do poder de atracção que têm as manifestações duma legítima cultura local. Mas as festas não são a única realização própria da cultura campomaiorense. O “cantar e bailar as saias” constituiu, uma extraordinária manifestação da cultura campomaiorense. Infelizmente, a falta de cuidado que se está a verificar com a sua conservação e divulgação, faz com que esteja tão ameaçada de desaparecer da nossa memória colectiva como estão as muralhas das nossas fortificações que vão caindo sem que se recorra aos meios necessários para as salvar.

Sendo Campo Maior a única terra onde ainda há o hábito de cantar e bailar as saias, havendo tantos milhares de campomaiorenses a viver longe de Campo Maior, porque não se organiza um verdadeiro Festival de saias? Não um espectáculo de palco como se tem feito, mas uma autêntica animação das ruas e das praças como devem ser “as saias”. Um evento carregado de originalidade e interesse que sirva de pretexto para que os nossos emigrantes se sintam motivados e compensados ao visitarem a sua terra. Tenho a certeza de que muitos deles teriam tanto orgulho em mostrar esta manifestação cultural aos seus descendentes e aos visitantes como têm de ver e mostrar as Festas do Povo de Campo Maior. Só que o Festival das “saias” teria a vantagem de poder ser anual. E, acreditem: podia ser feito com muito menos despesa e muito maior retorno do que se obtém com o que se vem fazendo nos últimos anos.

Já agora permitam que coloque ainda uma outra questão: havendo já em Campo Maior serviços destinados ao apoio ao turismo, porque não desenvolvê-los de modo a dotá-los da capacidade de planificarem, programarem, promoverem e acompanharem visitas guiadas aos locais com interesse para a compreensão do passado de Campo Maior?



publicado por Francisco Galego às 16:29
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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