Quinta-feira, 09 de Julho de 2009

 

A evolução das sociedades foi fazendo emergir novas formas e novas relações de poder dentre dos grupos e entre os indivíduos. Nas sociedades primitivas o poder era conferido aos mais velhos, sendo em geral aos patriarcas que cabia gerir os bens, impor as regras de comportamento, administrar a justiça e impor a autoridade que assegurava a ordem dentro dos grupos.
As soluções gerontocratas (governação pelos gerontes, ou seja, pelos mais velhos), permaneceram por um tempo muito longo como forma de regulação social. Mesmos nas primeiras civilizações históricas era essa a solução que predominava, quer através do poder unipessoal dos patriarcas, quer por constituição de conselhos de anciãos que em conjunto exerciam o poder.
Com a organização do poder militar em exércitos estruturados, impôs-se um novo tipo de poder baseado nos grandes chefes militares e nas chefias intermédias que os coadjuvavam. A solução gerontocrata foi dando lugar ao poder das oligarquias militares que se constituíram como detentoras do poder militar, económico e político. A tendência foi para que esses grupos dominantes se constituíssem como castas, tornando hereditário o usufruto dos bens e dos cargos que asseguravam o domínio sobre as sociedades. Estas nobrezas militares e terratenentes desenvolveram a solução monárquica que, por um período muito extenso da vida da humanidade, foi a forma dominante de governo. A tendência das monarquias foi para darem um carácter sagrado ao poder que exerciam em absolutismo, centrado na pessoa do rei.
Nos tempos modernos, com a emergência de um novo grupo social, a burguesia, o poder económico dissociou-se cada vez mais do poder político-militar das aristocracias nobiliárquicas. Assim, o poder político nobiliárquico e o poder económico burguês, acabaram por entrar em conflito, de que resultou a destruição das monarquias absolutistas.
As revoluções liberalistas, impondo legalmente uma sociedade assente na igualdade perante a lei e na liberdade de expressão de pensamento, abriram de facto as portas para que os mais fortes assumissem o controlo político, económico e social. Ora, os mais fortes eram os que dispunham de mais recursos. As democracias formais criaram as condições para que o poder dos mais ricos se impusesse. Nasceu uma nova forma de exercício do poder, o das plutocracias (domínio político, económico e social pelos mais ricos). Como a riqueza é sempre de poucos, as diferenças de acesso aos bens geram um cumulativo descontentamento gerador de revoltas. A liberdade de expressão e de participação pôde permitir a gestão desses conflitos através de soluções políticas capazes de realizarem reformas que foram restabelecendo progressivamente o equilíbrio social.
Tudo aponta para que estejamos a assistir à emergência de um novo modelo de organização das sociedades. Pois, se é verdade que o poder assenta ainda nos grandes grupos económicos e que são os grandes detentores da riqueza o grupo que mais influência política consegue exercer, é também verdade que os ricos mais esclarecidos já começaram a entender que só podem conservar e aumentar a sua riqueza recorrendo aos conhecimentos dos que melhor dominam os diversos campos do saber. Nesta perspectiva, é legitimo intuir que a sociedade está lentamente a deslizar dum modelo plutocrático (baseado na riqueza) para um modelo de carácter epistemocrático, ou seja, em que cada vez mais serão os que melhor dominam o saber que terão a competência para exercer o poder.
A sociedade poderá estar a caminhar para uma nova bipolarização que já não será entre ricos e pobres mas entre os que dominam o conhecimento e os que devem garantir a produção dos bens. Contudo, para garantir o equilíbrio social, terá que haver uma democratização cada vez mais alargada no usufruto desses bens. Paralelamente à emergência de um poder de tipo epistemocrático terá de se desenvolver uma sociedade de bem-estar e de lazer em que as massas encontrem compensação para a função produtora que lhes está destinada. Mas, mesmo estes produtores de bens e de serviços, devido aos rápidos avanços tecnológicos, terão de ser sujeitos a consistentes e contínuas formações cívicas, culturais e profissionais que sejam cada vez mais alargadas. Também neste sentido a sociedade tenderá para um alargamento dos conhecimentos, tornando-se paralela e progressivamente mais epistemocrática e mais democrática.
Segundo esta perspectiva, numa sociedade em que o conhecimento se torne a base da evolução, a educação vai constituir-se como factor essencial do desenvolvimento da própria sociedade.


publicado por Francisco Galego às 16:37
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
mais sobre mim
Julho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24

26
27
28
29
31


arquivos
pesquisar neste blog
 
Visitas
blogs SAPO