Terça-feira, 14 de Abril de 2009

 

As grandes obras são intemporais. Elas antecipam os factos, as situações, os sentimentos, fazendo com que a sua leitura se torne pertinente, útil e esclarecedora, mesmo que já vários séculos tenham passado sobre o tempo em que foram produzidas. A riqueza do seu conteúdo ajuda-nos a compreender a realidade do nosso viver. A certeza das suas análises, conduz o nosso pensamento para uma compreensão iluminada das questões. A frase justa, exacta, precisa, torna simples expressar aquilo que de facto pretendemos dizer ou escrever:
 
Uma das coisas de que se devem acusar e fazer grande escrúpulo os governantes, é dos pecados do tempo. Porque fizeram no mês que vem o que se havia de fazer no passado; porque fizeram amanhã o que se havia de fazer hoje; porque fizeram depois o que se havia de fazer agora; porque logo o que se havia de fazer já.
Tão delicadas quanto isto hão-de ser as consciências dos que governam, em matérias de momento.
O governante que não fez grande escrúpulo de momentos não anda em bom estado; a fazenda (os bens) pode restituir-se, a fama, ainda que mal, também se restitui. Mas o tempo não tem restituição alguma.
(Padre António Vieira, século XVII)
 
Partindo deste texto constatem quanto prejudicam as populações os governantes que adiam, protelam, esquecem e deixam de fazer o que estava prometido ao povo, porque apenas agem segundo aquilo que é o seu próprio interesse.


publicado por Francisco Galego às 17:34
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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