Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2009

 

            Passou a época mais significante da nossa Civilização Ocidental Cristã. Os rituais próprios do Natal e do Ano Novo, deixaram-nos, por breve tempo, distraídos dos males que afligem este nosso conturbado mundo. Mas, implacavelmente, todos esses males e tormentos continuaram.
            Sob alguns aspectos, a humanidade pouco ou quase nada terá evoluído. A guerra, esse flagelo terrível, continua a ser o meio para resolver questões que a fraternidade, a solidariedade e a interculturalidade, já deviam ter resolvido há muito tempo.
            Os homens que fazem disso seu modo de vida e fonte de grandes fortunas que, em pouco tempo, conseguem acumular, promovem as guerras que vão ceifando vidas, dilacerando os corpos, destruindo bens, atirando os povos para extremos de miséria e de sofrimento.
            Os povos em cujos territórios estão continuamente abertos os conflitos, podem disso dar dramático testemunho:
            - No Próximo Oriente, mantém-se acesa a fogueira de ódios ancestrais que envolve palestinos e israelitas numa destruição que parece não ter mais fim – de um e outro lado, o radicalismo extremado dos fundamentalistas, comanda os acontecimentos sem dar tréguas e sem atender à vontade moderadora dos que anseiam pelo entendimento que consolide uma verdadeira paz;
            - Na África, há chagas dolorosamente abertas na nossa consciência, nos povos do Congo e da Somália, sujeitos a uma guerra infrene de já nem se conhece a razão. No Zimbabwe, a sede louca de poder do ditador Mugabe, persiste em condenar o seu povo a ser devorado pela cólera, perante a inoperância da comunidade internacional que há muito devia ter interferido;
            - A Índia e o Paquistão de tão difícil vizinhança, sofrem os efeitos dos loucos desvarios que mascaram de crenças religiosas e culturais, escondendo as verdadeiras razões que motivam todas as guerras;
            - No Iraque, para quando uma solução? E o Irão? Escolherá a paz ou guerra para resolver as tensões que o sustentam na frágil estabilidade em que se tem mantido?
            Em certos aspectos, nós homens do século XXI, integrados numa cultura de base cristã, mostramos maior desumanidade que os antigos gregos que, há mais de dois mil anos, lançaram os alicerces da nossa civilização. Estes que, organizados em pequenas cidades-estado rivais andavam constantemente envolvidos em conflitos, sempre que, de quatro em quatro anos, se realizavam os Jogos Pan-helénicos, em Olímpia, decretavam uma trégua sagrada, suspendendo todas as guerras e conflitos em curso, para conjuntamente participarem nos ditos jogos.
            Nós temos uma organização, a ONU, em que participam todos os estados do mundo. Porque não podemos, à semelhança dos gregos declarar tréguas que permitam aos povos desfrutar de períodos de paz verdadeira?
            Em tempos não muito recuados, havia em todas as guerras períodos de trégua para cuidar de enterrar dos mortos e acudir aos feridos. Nunca a guerra foi tão terrível como hoje, pelos meios de destruição que envolve, pelos danos que provoca e pela inutilidade de tantos sacrifícios. A guerra de hoje, não conhece tréguas, nada respeita, não dá lugar à compaixão. È cientificamente brutal e programada para provocar o máximo de destruição. Num mundo em que há ainda tantos que estão condenados a ter tão escasso acesso aos meios de sobrevivência, a humanidade tem ainda de enfrentar esse monstro criador de tanta dor e tanta desgraça.
 
            Onde a guerra não campeia, lavra a instabilidade anunciada pelas várias crises que, num exponencial crescimento se vão desenvolvendo: a crise financeira primeiro, depois a económica e as, há muito anunciadas, dos recursos energéticos, dos desequilíbrios ambientais e da instabilidade social com base no desemprego galopante que se perspectiva para os tempos que se aproximam.
            Entretanto, sobretudo entre os que, por atitude, preferem manter-se alheios a tudo isto, cresce desde há muito a pior de todas as crises porque é a que provoca efeitos mais duradoiros e mais difíceis de debelar: a crise de valores que determina a ausência da dimensão moral nos comportamentos políticos e nas relações sociais.
            Não se apresenta muito esperançoso este novo ano de 2009. Tudo indica que nos vai trazer preocupações e fazer enfrentar graves problemas. Nestas alturas de crise, manda a prudência que nos tornemos mais atentos, mais avisados e, principalmente, mais tolerantes e mais solidários. A união que resultar da boa vontade de todos, tornará cada um de nós mais forte para enfrentar os sacrifícios.
            Para todos envio os votos do melhor ano que nos for possível.


publicado por Francisco Galego às 13:54
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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