Terça-feira, 11 de Julho de 2017

No jornal  EXPRESSO de 27/2/2016 li este título de que tomei nota. Reencontrei-o e, analisando-o face ao que desde então foi acontecendo, achei que ele tinha sido muito premonitório. Pensando bem, não era difícil prever que assim viesse a acontecer porque o próprio Cavaco se aniquilou, afastando-se, colocando-se a tal distância e produzindo tais afirmações que se foi transformando em motivo continuado de indiferença, de contestações e de anedotas, algumas delas bem degradantes da instituição presidencial.

O meu espanto na altura, era que esta pergunta tivesse sido escrita num jornal em que, nesse tempo, jornalistas adoptavam inconsistentes e militantes posições, sem cuidarem de que tal estratégia os diminuia como profissionais, cuja função deveria ser a de informarem e eclarecerem com seriedade, de forma isenta e com objectividade os seus leitores.

Henrique Monteiro era o paradigma desse género de jornalismo. Foi ele que escreveu com intencional ironia: “Marcelo, Presidente Paizinho?”. Este título apontava para aí. A prosa começava mansamente e com algum acerto. Mas, a certa altura, resvalava para o seu empenhado desejo de que o novo presidente se aproximasse da sua concepção institucional-autoritária do que devia ser a acção do novo Presidente da República, aconselhando Marcelo a contornar dois obstáculos: o primeiro é tentar não ser uma espécie de paizinho de todos, alguém a quem se recorre nas aflições e que está sempre disposto a tudo conciliar, perdoar e esquecer; o segundo é, afirmando as suas convicções, não permitir (como Cavaco permitiu...) que o seu cargo e a sua pessoa sejam desrespeitados ou mesmo enxovalhados. E termina afirmando que para isto:  “Vai precisar de coragem”.

É este não permitindo que revela a base ideológica que está subjacente a esta prosa. Porque o que, noutra prespectiva, devia estar seria: “Não agindo de forma a que o seu cargo e a sua pessoa sejam desrespeitados ou mesmo enxovalhados.”

Agora que está bem demonstrada a forma e os efeitos da maneira como Marcelo Rebelo de Sousa entende e exerce a sua acção como presidente, verificamos que seria mais adequado que Henrique Monteiro tivesse escrito: “Vai precisar de manter a isenção e a dignidade, para preservar o elevado prestígio que é próprio do exercício da função presidencial”. Claro que, assim, estaríamos no domínio de uma  concepção do exercício da função presidencial baseada  na democraticidade, na ética republicana e no civismo que devem coexistir no mútuo relacionamento de confiança, de consideração e de respeito, entre o PR  e os cidadãos que o elegeram. Porque, de uma maneira mais simples e mais directa, como dizia um antigo dito popular: Quem não sabe dar-se ao respeito, não merece ser respeitado.



publicado por Francisco Galego às 08:55
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