Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

Realizavam-se muitos bailes no Entrudo. Os rurais – jornaleiros, criados e criadas de servir – frequentavam os bailes da “sociedade da música” que, por estar ladrilhada com lajes de xisto negro que largava um pó preto que se agrava à roupa, era, por graça, designada pelo nome de “casinha do picom”, ou por “bailes do assento”, devido á localização da sociedade.

Os bailes da “sociedade da praça” eram reservados a uma espécie de classe média que incluía os chamados “artistas” – ferreiros, ferradores, carpinteiros de “finos” e de “obra grossa”, comerciantes e caixeiros, pedreiros (os alvanéus), paneiros e alfaiates, sapateiros, correeiros e albardeiros – enfim, todos os que tinham profissão não relacionada com o trabalho no campo, ou que cultivassem apenas as suas terras, ou seja, os pequenos e médios proprietários.

Por volta de meados do século passado, foi mantido o hábito de se organizarem as “Marchas de Entrudo”, com algumas semelhanças com as actuais marchas populares – como as de Lisboa - só que com um aspecto mais chocarreiro, de acordo com o carácter carnavalesco da quadra. Deram muito nas vistas algumas marchas organizadas e ensaiadas pelo Carrasco e pela parceria constituída pelo sapateiro Joaquim d’Elvas e pelo, sacristão da Matriz, António Bajé. Estas distinguiam-se pelo brilho dos figurinos, pela perfeição das danças coreografadas e pelo cuidado que punham nas músicas e cantares ensaiados para o efeito. Os dois elementos da parceria referida esforçavam-se sempre por se apresentarem travestidos da forma mais gloriosa que lhes fosse possível, compondo extraordinárias personagens de rainhas, fadas ou princesas, pois, além da marcha que iam cantado e dançando, paravam nos cruzamentos das ruas e nas praças para representarem pequenos entremezes como, por exemplo, a extraordinária saga da “Princesa Magalona”.

Numa sociedade profundamente estratificada como a que nesse tempo habitava Campo Maior, nem no Entrudo eram concebíveis misturas das “pessoas comuns” com as “famílias notáveis”. Estas faziam, à sua maneira, o seu Carnaval: organizavam as suas trupes para irem de casa em casa animar as pessoas do seu “meio”. Esses bailes eram reservados e realizavam-se em casas particulares – os assaltos -, ou no Grémio, a Sociedade Recreativa muito selectiva, designada vulgarmente como  “a sociedade dos ricos”.

Esta “elite social” organizou, durante alguns anos, uma espécie de corso local, um cortejo ou desfile que o povo designava como a  “ batalha das flores” e que consistia em as famílias do “círculo dos importantes” desfilarem ao longo da Rua da Canada, em charretes, ou noutro tipo de trens de tracção animal, travando uma amável “batalha” de pequenos saquinhos de farinha, grão, feijão, farelo, serpentinas, papelinhos, entre os que circulavam e os que assistiam na rua ou nas janelas. Ao povo cabia o papel de assistir e de se deslumbrar com o brilho dos trajes - dominós, damas antigas, arlequins e columbinas -, envergados pelos figurantes.

Hoje, tudo está mais igual. A sociedade está seguramente mais justa e isso é mesmo muito importante. O que não significa que o Carnaval se tenha tornado muito mais interessante.

 

 



publicado por Francisco Galego às 08:24
Domingo, 26 de Fevereiro de 2017

No meu tempo de infância, numa designação  mais popular, era chamado de “O Entrudo”. A gente que se tinha por mais ilustrada designava-o como “O Carnaval”.

Nos jornais do século XIX, encontram-se referências ao Carnaval de outros tempos, em Campo Maior. Trata-se geralmente de um Carnaval “bem comportado”, de gente séria que não cometia desmandos e que desdenhava e censurava “as grosseiras e violentas diversões das gentes rudes do campo, sem sentido das medidas e sem educação”.

Por exemplo:

 No domingo gordo inauguraram-se nesta vila os bailes públicos de máscaras. O primeiro teve lugar no teatro (do castelo), levado a efeito pela Sociedade Artística, auxiliada por alguns não artistas, os quais, em comissão mista, tomaram a direcção do espectáculo. O teatro estava ornado sem luxo, mas com asseio e bom gosto e manteve-se em toda a noite na mais rigorosa decência. À entrada do salão de baile (plateia superior), cada máscara dizia o seu nome ao presidente da comissão.

A filarmónica artística, vestida uniformemente, deu começo ao espectáculo com uma sinfonia: levantado o pano, um artista, moço de merecimento moral e intelectual, entrou em cena com os emblemas que representam o tempo e figurou as quatro estações do ano… com versos alusivos.

Depois começou o baile que durou até às 2 horas da noite. Nos intervalos houve quadros vivos…

“No terceiro dia de Entrudo teve lugar o segundo baile de máscaras. Foi brilhante, foi até esplêndido e houve um grande concurso de espectadores. Desta vez, o número de Máscaras não baixou de sessenta: apareceram costumes variados e de bom gosto e houve muita animação. O ardor dos dançadores chegou a ser por vezes frenético… o movimento e alegria foram constantes…

À comissão que dirigiu os espectáculos, todos os louvores são devidos: nunca os houve em Campo Maior com mais ordem…” (In A Voz do Alentejo, 1866).

 

Muito raramente aparecem referências às outras manifestações do outro Carnaval, o Entrudo rude e violento.  Principalmente à celebração da “5ª- feira das comadres”, pela gente mais ligada ao trabalho nos campos, que eu ainda presenciei, em toda a sua pujança, nos tempos da minha infância.

Nesse tempo, quando se começavam a ouvir os estrondos do rebentar das bombas e os gritos chistosos com que a rapaziada perseguia as vítimas das impertinentes partidas, sabíamos que o Entrudo tinha começado.

Os “lárga-los” consistiam em rabos dos animais esfolados, trapos, ou escritos com frases como “Sou burro”, “Fujam que marro”, que os brincalhões se entretinham a pregar nas costas dos incautos que eram escolhidos para vítimas. A tarefa de pregar estes objectos nas costas das pessoas, sem que estas o pressentissem, exigia descaramento, astúcia, rapidez e perícia. Depois, o desgraçado a quem se pregava a partida, ia passando pelas ruas sob a chufa dos gozadores divertidos que gritavam, “Lárga-lo!... Lárga-lo!” evitando que este percebesse que era ele o alvo desta gozação.

O rapazio adorava o perigoso jogo de lançar bombas e de fazer rabear os busca-pés, com que procuravam assustar as pessoas. E não apenas nas ruas. O hábito que nesse tempo havia de manter abertas as portas que davam para a rua, dava azo a que, os mais violentos, deitassem esses objectos para dentro das casas, provocando  grandes sustos e alaridos. Os gritos das mulheres assustadas e as correrias dos malandros que procuravam fugir sem serem identificados,  punham as ruas em alvoroço.

De noite formavam-se as trupes de mascarados que percorriam as ruas metendo-se com quem por eles passava. Caraças, mascarilhas, pinturas e óculos serviam para esconder a identidade, permitindo atitudes que não se assumiam de cara descoberta. Os homens e as mulheres aproveitavam para se travestirem envergando roupas velhas e grotescas, disfarçando a voz, aproveitando este período de maior liberalidade de comportamentos que não eram admitidos em situações normais de convivência, como o hábito de mascarrar e de enfarinhar permitindo um contacto físico entre os sexos que estava de todo vedado em condições normais no resto do ano. Por vezes, esses bandos de foliões entravam de rompante pelas casas, sendo recebidos em alarido pelos moradores e pelos vizinhos que acorriam a participar na festança. Se a trupe ia acompanhada de tocadores, podia mesmo improvisar-se uma bailarada.

 Mandava o decoro que se respeitassem as pessoas e as casas dos que, por razões de doença ou de morte, estivessem em situação de resguardo ou de luto.

Os grandes dias do Entrudo eram a 5ª- feira das Comadres e a 5ª- feira dos Compadres. Na das Comadres, os homens organizavam-se em bandos para a chocalhada: cobertos de capas oleadas e que, fazendo soar grandes chocalhos e mangas, iam pelas ruas provocando as mulheres que respondiam ao desfio lançando sobre eles baldes de água, nem sempre limpa, cinza, pó de carvão, farelos e serradura e outras coisas menos próprias que não convém designar. Agrupadas em certas casas, as mulheres colocavam à janela estandartes de panos coloridos, enfeitados com vistosas fitas e outros ornamentos, desafiando os homens a que os tentassem alcançar. Iniciava-se então uma feroz contenda em que os que estavam em baixo procuravam a todo o custo subir para alcançar o apetecido troféu e as que estavam em cima tudo faziam para impedir que tal objectivo fosse concretizado.

Na 5ª-feira dos Compadres o estandarte era substituído por um espantalho e de novo se desencadeava a contenda.

 



publicado por Francisco Galego às 09:09
Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017

A INTEGRAÇÃO DE CAMPO MAIOR NA SOBERANIA DO REINO DE PORTUGAL

 

Depois de uma sucessão de confrontos que começara pela reivindicação do direito à posse do Algarve e que persistira na disputa de várias terras na fronteira terrestre, a norte e a leste do reino de Portugal, D. Fernando IV, rei de Leão e Castela e D. Dinis, rei de Portugal, concordaram em assinar um tratado de paz, no dia 12 de Setembro de 1297.

Para consolidação e garantia do acordo realizado, combinaram os consórcios de D. Afonso, príncipe herdeiro da coroa de Portugal, com a infanta D. Beatriz, irmã do rei de Leão e Castela, o qual casaria com D. Constança, filha de D. Dinis, rei de Portugal.

Por este tratado o rei de Portugal via reconhecida a legitima soberania sobre os lugares e castelos de Ribacoa - Sabugal, Alfaiates, Castelo Rodrigo, Almeida, Castelo Melhor, Monforte, San Félices de los Gallegos e outros lugares desta comarca de Beira – bem como de terras mais a Sul, na fronteira do Guadiana – Arronches, Campo Maior, Ouguela e Olivença.  

Analizando bem as suas consequências, este tratado tem uma importância acentuada, tanto do ponto de vista da História de Portugal, como da história da vila de Campo Maior:

            - Do ponto de vista da História de Portugal, ele marca a transição do período da conquista definitiva do território, depois de cerca de século e meio de lutas pela posse das terras e de consolidação da sua independência como Estado; repare-se que o resto da Península Ibérica foi um moisaco de reinos cristãos, com a presença de um reino muçulmano, até à conquista de Granada em 1492;

            - Com a assinatura deste tratado, Portugal é o país europeu que tem, desde há mais tempo, definidas as fronteiras do seu território original, pois que elas se mantêm desde 1297, apenas com a excepção de San Félices de los Gallegos e de Olivença.;

            - À luz deste tratado, do ponto de vista da história de Campo Maior, esta vila é uma das terras que mais tarde se integrou plenamente no Estado Português, se atendermos a que ficou ainda dependente do senhorio e da autoridade eclesiástica do bispo de Badajoz, até ao fim da crise de 1383-1385. D. João I teve de tomar Campo Maior pela força das armas em 1388, pois seguira o partido do rei de Castela. Só em 1392, foi completamente integrada na soberania dos reis de Portugal, com o corte dos laços de dependência eclesiástica do bispo de Badajoz.

Com a sua integragação plena no reino de Portugal, Campo Maior, Ouguela e Olivença, foram, quanto ao domínio eclesiástico, integradas na diocese de Ceuta, criada em 1414, até que a diocese de Elvas foi criada por bula do Papa Pio V, de 9 de Junho de 1570. Esta integrava as vilas de Campo Maior, Ouguela e Olivença que tinham pertencido à diocese de Ceuta e mais as vilas de Juromenha, Vila Fernando, Vila Boim, Alandroal, Fronteira, Monforte, Alter do Chão, Alter Pedroso, Cabeço de Vide, Veiros, Seda, e Barbacena, desanexadas do arcebispado de Évora.

A diocese de Elvas foi suprimida em 30 de Setembro de 1881, em simultâneo com a diocese de Castelo Branco. O seu território foi maioritariamente reintegrado na arquidiocese de Évora (com excepção das freguesias de Degolados e Cabeço de Vide  e do concelho de Alter do Chão, que passaram para a, também então criada, diocese de Portalegre).

Presentemente, o título de bispo titular de Elvas continua a ser usado por bispos auxiliares, à semelhança do que sucede com outras dioceses históricas de Portugal já extintas.

Nuno Brás da Silva Martins, bispo auxiliar do Patriarca de Lisboa é, desde 2011, o bispo titular de Elvas.

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:01
Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

... Tive eu, ao assistir, ontem à noite, ao espectáculo de dança que a Associação Cultural “AXPRESS-ARTE” apresentou no Centro Cultural de Campo Maior.

Tanto maior foi essa surpresa quanto, tenho de o confessar, a sua titulação como “A cópia”, era pouco significante para me ter criado qualquer espectativa. Ia sem ideia preconcebida, movido apenas pelo interesse de conhecer mais um trabalho no qual participavam pessoas que estimo e que considero empenhadas em projectos concebidos segundo objectivos e soluções que sempre me suscitaram contentamento e proveito cultural.

E, de repente, aquilo que define uma proposta como cultura e como arte, começou a acontecer naquele palco tão despedido de grandes e espectaculares artifícios cénicos, mas prenchido com sugestões tão simples quanto significativas, gerando um espaço que dava de imediato, o sentido da acção que nele se ia desenvolver: a quase ausente utilização da cor, o jogo simples e cru da luz, das sombras e dos espaços não iluminados, delineando um clima de espectável dramatismo.

Depois, nova surpresa: uma banda sonora que, ora ritmando, ora alternando as vozes com os trechos musicais, foi ganhando um crescente lugar sublinhando a narrativa sujacente à representação que a dança ia construindo. Por mim, gostaria que o “folheto-programa” tivesse indicado os autores e/ou os trechos musicais que foram tão bem inseridos, nesta tão inteligente e tão bem integrada banda sonora.

Depois, o espanto de terem optado pelo despojamento com que vestiram os que no palco foram construindo a representação. As marcações encheram o espaço cénico de modo a que os movimentos pudessem ir “narrando” o que, com intenção, havia  sido escolhido para ali poder ser analisado, entendido e interpretado, porque esse é o propósito de qualquer proposta com verdadeira intenção cultural.

E, o sentido foi-se explicitando: no essencial, trata-se de apresentar o conflito existencial que se desenvolve no confronto agónico entre duas tendêndias estruturantes da nossa individualidade, ou seja, do nosso modo de estar e de ser: por um lado, a tendência que vai defenindo o nosso Ego, modelando-o segundo as circunstâncias que nos são propostas pelo ambiente social em que estamos inseridos e que, nesta representação, é configurada pela inserção da personagem individual nos comportamentos do grupo; por outro lado, a emergência do Alter Ego que, aspira a mais altos designios que estruturem e personalizem uma verdadeira individualidade, incitando à não conformação com o que está estabelecido.

Claro que esta é a minha leitura. Mas é essa a função dos verdadeiros actos culturais: levar-nos à reflexão e ao conhecimento. Por isso, a minha surpresa, deu lugar ao meu grande contentamento, Não é coisa de somenos, ter podido assistir a um tão digno como inteligente acto de cultura, numa terra em que, com grande desgosto, constato constantemente, que a cultura foi desaparecendo para dar lugar a pobres acções de mero entretenimento que apenas acentuam o progressivo empobrecimento do nosso viver colectivo. Parabéns a todos os que nele participaram.



publicado por Francisco Galego às 10:36
Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017

Há ainda muitos professores que arrastam, ao longo dos anos, como se de um fardo se tratasse, aquilo que devia ser tomado como a sua missão e sua forma de realização pessoal. Comportam-se como se o seu dever profissional se reduzisse aos de meros emissores de conhecimentos que os alunos, reduzidos à condição de meros recipientes, têm que ir acumulando.  

Ora, isto é inviabiliar qualquer projecto minimamente aceitável e capaz de produzir os efeitos necessários e expectáveis. Os alunos são pessoas envolvidas numa formação que deve ser propiciada através de projectos educativos com objectivos claramente definidos e com espectáveis garantias de eficácia.

É hoje consensual entre os que, no universo escolar se dedicam mais seriamente à análise das práticas educativas, que a apreocupação de ensinar os alunos a aprender de forma adequada os conhecimentos que têm de adquirir é, além de facilitadora por gerar interesse e acelerar a aquisição desses conhecimentos, aquela que, uma vez adquirida, tem maior eficácia por tender a permanecer ao longo das suas vidas.

Naturalmente que uma estratégia centrada nas tarefas desenvolvidas na sala de aula exige um prévio e apurado trabalho para que as aulas decorram em boa ordem e com eficácia. Como contrapartida, nestas condições, os comportamentos desregrados, ou de conflito, tenderão a desaparecer, a acção do professor terá maior possibilidade de observação dos casos isolados, dotando-se assim da capacidade de intervenções mais individualizadas no acompanhamento dos alunos.

A aula tornar-se-á o local privilegiado das aprendizagens. Poderá também assim desempenhar a sua função de contribuir para atenuar as desigualdades sociais determinadas pelas diferentes condições sócio-económicas e culturais que os alunos levam dos seus ambientes familiares para as escolas e que constituem um factor tantas vezes fatalmemte determinante do seu sucesso escolar e que irá condicionar o seu projecto de vida. Colateralmente, a escola dará também lugar a que os alunos, como é próprio das fases do seu crescimento, possam dispor de tempos livres para realizarem a sua socialização através dos seus grupos de convívio e de crescimento.

Nesta perspectiva, os professores deixam de recorrer aos “trabalhos de casa”, deixando apenas ao critério dos alunos e das suas famílias a decisão sobre a maneira de ocuparem o seu tempo noutras actividades que poderão contribuir de forma positiva para sua formação como pessoas. É indismentível a afirmação de que, muitos dos professores que são considerados pelos bons resultados obtidos, não recorrem a esses tempos de trabalho fora da escola, que servem apenas para compensar as aprendizagens que deviam ter sido feitas no universo escolar.  

 

Foi a leitura do texto publicado na revista VISÃO nº 1250 de 16/2/2017 pág.s 10 a 12, que ditou este impulso de escrever, não resistindo ao que em mim ainda resta, com alguma saudade, da minha vida de professor.



publicado por Francisco Galego às 00:08
Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017

A atitude dos autarcas e de certos responsáveis, tanto a nível regional, como no âmbito da política nacional, é tal que só se pode justificar por enorme insensibilidade e uma quase total falta de conhecimentos sobre as questões ambientais. O problema atinge proporções tão graves que, me parece pertinente colocar, com carácter de urgência, a seguinte questão:

Porque se demora tanto a apresentar e fazer aprovar no Parlamento uma lei que assegure a preservação e conservação do Património Natural?

Esta questão faz-me ter algumas dúvidas sobre outra que sempre defendi como opção natural: a do alargamento do poder local. Porque, neste caso, é pertinente colocar, como dúvida, se esta seria a solução mais adequada, dada a fúria arboricída de que constantemente nos chegam notícias.

 

“TÚNEL DAS ÁRVORES FECHADAS”  EM MARVÃO PROTEGIDO

Consegui impedir que o atentado que estava a ser  levado a cabo durante a manhã de hoje fosse suspenso e os danos minimizados. O abate de dez freixos centenários que forma o famoso e ímpar “túnel das árvores fechadas”, composto por quase três centenas de árvores com estatuto de interesse público, foi suspenso.

O âmbito de uma intervenção programada e promovida pelas Infraestruturas de Portugal, deu-se início ao abate de dez árvores constituintes deste património natural. Durante os trabalhos de preparação, vários organismos, entre os quais a autarquia de Marvão, foram informados mas não foram tomadas medidas para impedir que os trabalhos começassem. Já durante a manhã, um conjunto de munícipes, entre os quais o vereador com o pelouro do Ambiente, José Manuel Pires, tentaram que o processo fosse suspenso. A minha intervenção junto da tutela contribuiu para que fosse dada ordem para interromper os trabalhos.

Estamos perante um património natural de grande importância para a região. O complexo de freixos centenários que transforma uma simples recta de uma estrada num ícone do concelho de Marvão e do distrito de Portalegre constitui um factor de riqueza evidente e que é valorizado não só pelas populações como pelos visitantes. Este património não pode sofrer intervenções indiscriminadas. É necessário fazer um trabalho que assegure a sustentabilidade destes símbolos tão importantes para a região.

Este eixo na Estrada Nacional 246-1, que liga Marvão a Castelo de Vide, é ladeado por quase três centenas de freixos centenários (com quase 30 metros de altura) de nome científico Fraxinus angustifolia Vahl, que formam uma magnífica alameda.

O valor natural levou a que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas tivesse atribuído, inclusivamente, o estatuto de Árvore de Interesse Público.

(In https://www.facebook.com/ Luis Moreira Testa



publicado por Francisco Galego às 14:07
Domingo, 12 de Fevereiro de 2017

Há no depertar dos dias, um particular encanto que se sente com serena tranquilidade. A claridade que emerge lentamente. Os ruídos que parecem suspensos. O estar só, sem ainda haver o compromisso de ter de interagir.

 

Mesmo, ou principalmente, num dia de chuva miudinha como este. A humidade fria suscita o cuidado do agasalho que conforta. Basta ficar na contemplação, suspenso, sem o fluir do pensamento. Quase tudo em mim se reduz apenas ao sentir.

 

São estes os momentos que tenho como os mais felizes. Não há sobressaltos, nem desejos. Há apenas estar. Esta a sensasão que mais próximo me coloca de algo que se aproxime do que posso entender como a ataraxia que Demócrito, filósofo grego ( 460-370 a.C.), descreveu como tranquilidade da alma¸ ausência de inqiuetude ou de perturbação e que seria muito incompleto traduzir pelo nosso conceito de felicidade.

 



publicado por Francisco Galego às 12:55
Sábado, 11 de Fevereiro de 2017

(António Gil, in Facebook, 10/02/2017)

 

Brilhantes e iluminativas ideias colhidas no texto atrás indicado:

 

            - Uma das maiores idiotices dos críticos desta administração norte americana é resumirem tudo à caricatura de seu putativo líder. Não ocorre aos que gostam de diabolizar uma pessoa, que essa criatura seja apenas uma «cabeça de cartaz» de um circo muito mais vasto, lançado para o barulho precisamente para atordoar, enquanto tudo se prepara nos bastidores.

 

            - Tudo indica que os senhores do mundo financeiro mudaram de estratégia e que um boneco de trunfa alaranjada foi oferecido publicamente em «sacrifício», enquanto se opera a um nível mais profundo, para introduzir essas alterações que no caso partem da constatação do falhanço do modelo anterior.

 

            - Os EUA, confrontados com políticas desastrosas de intervencionismo militar influenciadas pelos fascistas neo-cons, com déficits galopantes graças aos seus contínuos esforços de guerra, querem que o mundo pague agora, pelas suas iniciativas.

 

            - Na Europa isso é evidente: The Donald, o boneco de que se servem os ventíloquos do «estado profundo ou oculto» dos EUA já o disse: A Europa tem de pagar pela protecção americana. Este impulso de cobrar tudo e mais alguma coisa que resultou de opções domésticas dos EUA (o muro do México incluído, mas também as mais de mil bases militares que o Império mantém pelo mundo) devia ser fácil de interpretar: os EUA deram passos maiores que suas pernas e por isso estão à beira da falência. Por isso a palavra de ordem hoje é: «contra a crise, cobrar, cobrar».

 

            - Como uma «U.E.» que, mesmo disfuncional, constitui uma força de peso (mais população, mais produto interno bruto, mais exportações que os EUA) sempre foi renitente ao aumento das despesas militares e a oferecer suas mulheres e homens para uma guerra contra a Rússia (até por traumas de guerras de um passado dificilmente olvidável deste lado) está na altura de dissolver essa entidade e negociar país a país, a «protecção americana», na certeza que cada país isolado terá menos poder negocial que uma «U.E» E (ainda que nada coesa)-



publicado por Francisco Galego às 16:56
Quinta-feira, 09 de Fevereiro de 2017

Os “posts” que antes aqui publiquei sobre a questão do fabrico de “potes ou talhas” em Campo Maior tinham como intenção contribuir para propiciar um maior conhecimento de um aspecto importante da vida local, que se prolongou desde tempos antigos até meados do séc. XX.

É assunto que considero importante porque, sendo de facto uma comunidade que tinha como principal ocupação, fonte de rendimento e de sobrevivência,  as actividades agrícolas, levou ao desenvolvimneto de outros ramos de actividade que lhe eram complementares e que se traduzia  na existência  de variadas actividade artesanais. Ora, a olaria, foi sem dúvida uma das que maior nível de desenvolvimento e qualidade adquiriu, pois que a fama da sua qualidade provocou a sua difusão para outras localidades, algumas bastante afastadas do concelho de Campo Maior .

O interesse despertado por estes textos ficou bem demonstrado pelo número de leitores que tiveram e até pelos comentários que lhe vieram acrescentar conhecimentos. Entre eles, um merece especial destaque. Foi publicado no “post” datado de 1/2, para dar a conhecer um texto do Prof. Orlando Ribeiro, geógrafo, eminente cientista de renome internacional. O comentário foi aposto por Júlia Galego, que foi sua discipula e colaboradora. Este texto já tinha sido publicado no seu “blog” em:

http://gambozinoalentejano.blogspot.pt/2008/12/talhas.html

Porque entendo que é muito importante o seu contributo para o conhecimento deste assunto merece o destaque de republicar o texto que se segue, até porque a sua leitura ajuda a comparar o processo de fabrico nele descrito, com o processo de fabrico em Campo Maior, descrito no “post” anterior :

“Em relação aos utensílios de cerâmica, largamente difundidos em todo o país, a originalidade do Alentejo consiste em ter conservado, de uma herança mediterrânea, o vasilhame para líquidos, principalmente para vinho, preparado e guardado, no resto de Portugal, em pipas e tonéis de madeira. Neste sentido, é mais uma das expressões da civilização do barro própria desta região.

As vasilhas chamam-se talhas ou potes e podem ter dois metros e meio de altura, capacidade para mais de 2000 litros e pesar 700 ou 800 quilos. Aí se lança o mosto com o bagaço, para fermentação, mudado depois para talhas semelhantes. Em baixo têm um buraco onde se mete o pipo, por cima são cobertas com papel ou uma pele de cabra, como a dos odres. Pela forma fazem lembrar grandes dolia romanos, que são provavelmente os seus paradigmas. Talhas mais pequenas e sem orifício usam-se para o azeite e as azeitonas curtidas (de tão importante papel na alimentação alentejana).

(...) Trabalhando o barro diversamente dos oleiros, (o fabricante de talhas de São Pedro do Curval) não sabe manejar a roda e considera a sua arte diferente. As talhas são feitas em arcos; o barro, amassado em forma de pães, é batido com uma palmatória e espalmado de encontro à mão; quando um pedaço da talha adquire certa consistência, corta-se o bordo delgado a toda a volta e continua-se aumentando a obra para cima. Sem roda, é necessária grande perícia para que o bojo se desenvolva simétrico. O fabricante desenhou nas paredes caiadas da oficina o contorno de talhas para diversas capacidades; tem feito até 2000 ou 2200 litros; começa várias ao mesmo tempo e vai-as levantando aos poucos; podem levar uns quatro meses a acabar e um a enxugar. Depois são colocadas cuidadosamente num carrinho, em cima de palha, e vão a cozer a um grande forno, cuja fornalha é escavada no chão. Quando a talha está cozida é besuntada, por dentro, com pês derretido, que torna o barro impermeável.”

(Orlando Ribeiro, Geografia e Civilização. Livros Horizonte. P. 46-49.)



publicado por Francisco Galego às 00:06
Sábado, 04 de Fevereiro de 2017

Campo Maior, ao longo dos éculos XIX e XX, foi um dos principais centros de produção de potes ou talhas de barro para a conservação de produtos como o vinho, a azeitona e a aguardente. Algumas famílias dedicavam-se a esse fabrico, passando o seu saber artesanal de geração em geração. Estão neste caso as famílias Pereira, Monho, Mourato e Centeno. Tratava-se duma tradição artesanal que está hoje por completo perdida, tornando-se, por isso, importante conservar a memória que dela ainda subsiste. 

Este texto foi elaborado com base no depoimento de um elemento de uma destas famílias, o senhor Manuel Centeno, que ainda chegou a colaborar com o seu pai nessa actividade.    

O texto que agora aqui se apresenta, elaborado por Júlia Galego e Francisco Galego, foi publicado no nº 12 da revista "Alentejo  - Terra Mãe", publicado em Évora, no 3º trimestre do ano de 2008.

 

Normalmente, o processo iniciava-se no principio ou em meados de Novembro e terminava por volta de Maio a Junho.

O oleiro começava pela escolha do barro mais adequado ao tipo de potes a fabricar. Este barro, recolhido na região de Campo Maio, era amassado em tanques e deixado em repouso para que, por processo de decantação, se constituíssem as várias massas a utilizar no fabrico. Nesta fase inicial, o trabalho decorria em parte ao ar livre.

A construção dos grandes potes começava no final de Dezembro, princípio do ano seguinte.

Moldava-se primeiro uma espécie de vaso, a base do pote, feita á mão e sem recurso ao torno de oleiro. Seguidamente, separava-se um pedaço de barro a que era dada a forma de um melão. Depois, adelgaçava-se o barro entre as mãos, para formar os cordões que se íam sobrepondo para formar as três camadas que constituíam a estrutura do pote. O processo de construção tinha de ser lento e pacientemente executado, daí que o oleiro fabricasse em simultâneo um número considerável de potes.

Quando entendia que o peso do barro colocado tinha atingido o ponto adequado de sustentação, parava a sobreposição dos cordões de barro. O bordo era coberto com panos húmidos para grantir a colagem de novas camadas. Depois, deixava-se que o processo de secagem desse a devida consistência ao barro para que pudesse, algum tempo depois, retomar o processo de fabrico.

Dava-se a esta sucessão de fases o nome de lances. Entre um lance e outro decorria o prazo de uma a duas semanas.

Até ao meio do pote, o diâmetro ia aumentando; depois começava a reduzir para dar o estreitamento até à boca. Nesta fase, o oleiro utilizava uma espécie de raquete com a qual apoiava a parte interior do pote, enquanto ia juntando as sucessivas camadas. Tratava-se de uma fase muito delicada do processo, para evitar o demoronamento desta espécie de abóboda que ia sendo pacientemente construída. Por isso, tinha de decorrer um razoável tempo de secagem, para se obter a consistência necessária para suportar o peso da boca.

Esta era construída à parte para ser sobreposta à abóboda que formava a  parte superior do pote. Como a boca tinha um peso razoável, devido a ter uma maior espessura, convinha que o processo de secagem garantisse a consistência para não desmoronar. Por isso, nesta fase, a secagem era mais demorada, podendo ir até aos quinze dias.

Colocada a boca, dava-se o acabamento final que consistia em alisar a superfície exterior, utilizando uma cama de fino barro que era aplicada com um pedaço de pele, ou seja, uma especie de camurça.

Com o barro ainda húmido, as peças eram assinadas com o nome do oleiro, o local do fabrico e, nalguns casos, a data.

Nas sucessivas fases de secagem, convinha que o tempo decorresse nem muito seco, nem chuvoso. Os ventos secos e frios provocariam o rachar dos potes. A humidade excessiva afectaria a consistência do barro. Para atenuar as oscilações do tempo, o processo de fabrico decorria em grandes casões.

Na entrada da Primavera os potes já estavam feitos, começando o processo final  de secagem, o qual podia demorar de 20 dias a um mês.

Finalmente, entre Julho e Agosto, decorria a fase de cozedura em forno apropriado. Devido ao grande peso de algumas peças, estas tinham de ser deitadas e roladas até ao forno, no qual eram colocadas de boca para baixo, apoiadas em três peças de barro, sobre a grelha do forno. O processo de cozedura demorava um dia e exigia uma atenção constante para regular a temperatura, o que era feito pela maior ou menor abertura dada aos respiradores do forno.

Seguia-se o arrefecimento, que demorava uma semana, para os potes poderem ser manipulados, prontos para a última fase do seu fabrico: o cabamento do interior.

Os potes destinados ao vinho ou à conserva da azeitona eram pezgados, operação que consistia em betumar com pez derretido ao lume e vazado no interior do pote para ser espalhado com a ajuda da “boneca”, ou seja, um pano enrolado na extremidade de um pau.

Nos potes destinados à aguardente, a betumagem era feita com cera pura.

Os potes de Campo Maior tinham fama e eram vendidos por todo o Alto Alentejo e Beira. Hoje, os que ainda existem, são muito apreciados e usados como elementos decorativos.

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Sexta-feira, 03 de Fevereiro de 2017

(Este Post foi reposto, devido a algumas solicitações)

 

Há anos foi achado numa escavação nas propriedades do Monte de S. Vitória, por detrás da quinta denominada da Rainha, ou de S, João, arredores de Campo Maior, um dollium (1) do período lusitano-romano, que oferecemos ao Museu Municipal de Elvas. Exemplar muito bem conservado, só conhecemos outro semelhante que existe no Museu Etnológico de Belém.

Estas vasilhas foram, talvez, as ascendentes genealógicas dos potes ou talhas mouriscas que se vêem em todas as adegas do sul do país e cujo fabrico constitui uma indústria típica e secular da vila de Campo Maior e da Aldeia do Mato (2), do concelho de Reguengos. Curiosas e características as talhas alentejanas de barro grosseiro, a que o tempo dá um tom escuro, chegam a ser de altura superior à de um homem normal. O seu bojo avantajado e monumental chega a conter mais de cem almudes, ou sejam dois mil litros de precioso vinho. (...)

Velhas, pois de séculos, diferenciam-se as de Campo Maior das de Aldeia do Mato, pela   silhueta mais esbelta, pela regularidade das suas formas elegantes que as assemelham às formas clássicas do exemplares romanos. Diferenciam-se também porque, enquanto as de Aldeia do Mato, ostentam na gola a data de fabrico e as siglas curiosas dos artífices que, com suas mãos hábeis as moldaram, as de Campo Maior exibem os nomes completos dos vários oleiros em que, por tradição de família, se tem transmitido, através dos séculos, o uso desta profissão e que são: os Centenos, os Pereiras, os Mouratos, bem como outros que desconhecemos. Dá-se também o facto de, na vila de Campo Maior, se fabricarem potes de maior capacidade do que as fabricadas na Aldeia do Mato, devido à melhor qualidade dos seus barros, reconhecida pelos mestres aldeamatenses.

Realmente, é pena que os de Campo Maior não tenham sido também datados, para melhor apoio a investigações futuras e melhor documentação dos estudos etnográficos. Daqui lembramos aos actuais mestres de olaria de Campo Maior, nossos conterrâneos, que é conveniente gravarem nas talhas, além dos seus nomes, a data do fabrico (basta só o ano) e o nome da nossa histórica e progressiva vila, que foi agora alvo de uma grande honra: Por iniciativa louvável do Secretariado da Propaganda de Portugal, – a par da  graciosidade dos moringues (3) e bonecos de Estremoz, dos caprichosos empedrados das cantarinhas de Niza e da elegância das bilhas de Viana, Campo Maior mostrará aos muitos milhares de vistantes da Exposição Internacional de Paris, duas formidáveis talhas saídas das suas oficinas, que deverão assombrar pela novidade e pelas suas descomunais dimensões.

 

In, A Cerâmica Alentejana na Exposição de Paris

Ensaio Etnográfico, por João Ruivo, publicado em ARQUIVO TRANSTAGANO, ano V, Elvas,1938.

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(1) Vasilha grande de cerâmica de forma muito bojuda, quase esférica, usada pelos romanos para armazenarem vinho, azeite e outros tipos de produtos alimentares.

(2) Actualmente, S. Pedro do Corval.

(3) Pequena bilha, ou barril em barro, para refrescar a água, com duas bocas: Uma para entrada da água, outra para a saída em esguicho.



publicado por Francisco Galego às 14:42
Quinta-feira, 02 de Fevereiro de 2017

Se esta notícia, em si, já era bastante chocante, -  devido aos laços de amizade que, desde a nossa adoslescência, me uniam ao Raquelino, tecida de longas convivências e enquadrada por inúmeras confidências, assentando, principalmente, numa sólida e mútua confiança, -  a mensagem que de imediato enviei e que a seguir transcrevo, ajudará a melhor compreender porque ainda maior foi o espanto que em mim provocou. 

 

Amigo Daniel ( Daniel Anastácio, primo-irmão do Dr. Raquilino, há muito a viver fora de Campo Maior) :

Acabo de vir da rua, onde me deram a notícia da morte do Raquelino. Fiquei pasmado e muito penalizado. Não sei se ainda te lembras de que, aqui, em Campo Maior, sempre algumas pessoas cultivaram o péssimo hábito de divulgar e inventar falsas notícias. Pois calcula que, já há algum tempo, alguém me tinha dito que o Raquelino morrera em Março passado. Fiquei até um pouco magoado por, a esposa dele, nada me ter comunicado. Mas, enfim... São coisas que acontecem.

Mas, por isto podes calcular o choque que agora tive. O Raquelino, apesar do seu difícil comportamento, sempre manteve comigo uma amizade muito sincera apesar da distância em que ele mantinha tudo e todos, sobretudo nos últimos anos em que decidira deixar de se preocupar com as coisas duma vida que o desgostava.

Pois amigo Daniel: Resolvi enviar-te esta mensagem, na esperança de tenhas alguma notícia sobre este assunto que tanto me penaliza.

Um abraço.

 



publicado por Francisco Galego às 10:27
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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