Segunda-feira, 28 de Novembro de 2016

A IGREJA, O CONVENTO E O HOSPITAL DE SÃO JOÃO DE DEUS

A estrutura fundamental desta igreja ainda existe. Mas, a igreja propriamente dita, há muito deixou de existir enquanto lugar de culto.

Falamos de um templo que se localizava no quarteirão delimitado pelas ruas de Santa Cruz – uma rua em ângulo recto, em que um dos lados liga o Largo dos Carvajais ao Largo de Santa Cruz e o outro está na continuação da Rua de São João.

Quando, indo pela Rua de Santa Cruz, se vira para ir para a Rua de São João, do lado esquerdo de quem está voltado para Sul, fica um prédio onde, em tempos idos, estavam as instalações do Convento de São João de Deus e o Hospital Militar que lhe ficava anexo. O local da Igreja ainda lá está e é localizável pelo largo portão que dava acesso ao templo. O convento de São João de Deus ou dos frades hospitalários, foi criado por D. João IV após a Restauração da Independência de Portugal em 1640. Este rei, mandando fortificar Campo Maior, tornando a vila uma forte praça de guerra para defesa da fronteira dos ataques de Espanha, durante uma guerra que durou de 1640 a 1668, mandou dotar a guarnição militar dos cuidados hospitalares dos frades da congregação de São João de Deus que se dedicavam a essa missão. Convento e Igreja ocupavam o espaço que ficava entre a Rua S. João de Deus – hoje chamada Rua Vasco Sardinha -, a Rua de Pedroso – hoje chamada Visconde de Seabra – e a Rua de Santa Cruz.

A Igreja e as duas espaçosas enfermarias anexas, ocupavam todo lado do edifício virado para a Rua de S. João. Quando, em 1732, se deu a explosão da Torre de Menagem do castelo onde se instalara o paiol da praça de guerra, a vila ficou em grande parte destruída, tendo a igreja, o convento e o hospital de São João de Deus, sofrido grande destruição. Na eminência de nova guerra, D. João V mandou reparar tudo com grande rapidez. Mas a traça do edifício sofreu grandes transformações.

Com a pacificação geral da Europa depois da derrota de Napoleão Bonaparte e do restabelecimento da paz no Congresso de Viena em 1815, as praças de guerra deixaram de ter tanta importância.

Após a Revolução Liberal de 1820, houve em Portugal um período de guerras civis. Em consequência da guerra civil de 1828-1832, tendo vencido os liberalistas, foram extintas as ordens religiosas masculinas. O cuidado hospitalar dos militares passou para o encargo das autoridades civis. A Congregação de São João de Deus deixou de existir em Campo Maior. A igreja, as antigas instalações do convento e do hospital foram deixadas ao abandono de que resultou a sua acentuada degradação.

Essas instalações acabaram por ser adquiridas pelo Dr. José Maria Fonseca Regala, médico-cirurgião e abastado proprietário que as restaurou e reformulou, tornando-as residência da sua família e instalações de apoio às tarefas das suas actividades como empresário agrícola.

A parte que antes ocupada pela igreja e pelo hospital, tem sido nas últimas décadas usada como instalações de uma empresa comercial. Mas, no interior, são visíveis ainda traços da sua antiga função. Sobretudo no que respeita à Igreja que não sofreu grandes alterações no que respeita à sua traça arquitectónica inicial.



publicado por Francisco Galego às 00:07
Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016

A IGREJA DE S. JOÃO BAPTISTA

 

“No ano de 1732, caiu um raio na Torre grande de homenagem e derribou todo o castelo e a maior parte da Vila …” “A igreja do grande precursor S. João Baptista, protector desta Vila, é que se achava derribada, por se lhe fazer outra nova para com mais decência se venerar a sua imagem (1).”

(...)

“Em 18 de Outubro deste presente ano de 1734 se riscaram os alicerces para a nova Igreja deste Santo, com assistência do Engenheiro Mor do Reino, Manuel de Azevedo Fortes e mais engenheiros que havia juntos por ordem de S. Majestade El-Rei D. João o quinto, que os mandou para fortificarem esta Praça. E, com assistência do mestre que há-de fazer a obra e que se chama Sebastião Soares, o qual mandaram vir de Lisboa os mordomos, com o salário de setecentos e vinte réis por dia, enquanto durasse a obra, cuja planta foi aprovada por todos os engenheiros e pessoas que bem o entendem.

E, sendo véspera de S. Simão, 27 de Outubro, se deu princípio à bênção da primeira pedra, que se havia de lançar na dita Igreja, cometendo o cabido de Elvas, sede vacante, esta diligência ao guardião dos Frades de S. Francisco deste Convento, Frei João da Estrela, que levantou essa tarde uma cruz de pau, conforme o cerimonial romano, com assistência de todos os mordomos e do seu Juiz, Estêvão da Gama de Moura e Azevedo. Com timbales (tambores de cavalaria, em metal e de forma semiesférica), trombetas, tambores e repiques de sinos de todas as Igrejas. De noute houve luminárias em toda a Vila.

No dia seguinte, 28 de Outubro, em que a Câmara leva o Santo em procissão pelas ruas, em acção de graças pelo bom sucesso que teve esta Praça o ano de 1712 - quando os castelhanos que a sitiaram e assaltaram sem a renderem,  levantaram o sítio, estava prevenida a pedra e benta, com assistência de toda a comunidade dos frades e mordomos. E, ao chegar o Santo na procissão a este lugar, se assentou a pedra …

(Estêvão da Gama, p. 132 e 133)

........................

“A Igreja acha-se hoje com capela-mor fechada com grades de ferro, duas colaterais, a da parte do Evangelho do Apóstolo S. Bartolomeu e a da Epístola, do Senhor dos Passos. Tem um coro alto e uma só porta principal. Na capela-mor tem uma tribuna com um retábulo de talha dourada, ao moderno.

O Santo está num nicho por baixo da tribuna, com grades de prata, uma vidraça e coberto com um volante (véu?). Expõe-se patente nas festas principais do ano aos romeiros e devotos que o querem ver. Há uma relíquia do mesmo Santo com sua autêntica que veio de Roma., a expensas do Padre Luís Pereira, no ano de 1717, em sua custódia de prata feita mesmo em Roma com seu cristal e são cinzas do mesmo Santo. Tem duas lâmpadas de prata, uma antiga e outra que lhe deu o Infante D. Francisco (irmão de D. João V), pelo bom sucesso das nossas Armas no sítio esta Praça e basta para ficar engrandecida saber-se que foi oferta de sua Real grandeza. O Bispo D. Frey Pedro de Alencastro deixou ao Santo, por seu falecimento, a cruz e o anel episcopal.

Há nesta capela dois jazigos cujos epitáfios dizem assim: “Sepultura do P.e Diogo Galvão Pereira para a sua pessoa somente”.

            O outro contém o seguinte:

            “Aqui jas D. Catherina Theresa da Silva, mulher de Estêvão da Gama de Moura e Azevedo, mosso fidalgo da Caza de S. MageComendador de S. Miguel de V.ª Boa da ordem de N. Sr. Jezu Christo, Brigadrº de Infantaria e governador desta Praça q a defendeo no anno de 1712. Esta sipultura he própria para eles e seus descendentes. Faleceu em 28 de Abril de 1718.”

            No corpo da igreja há dois jazigos, um junto da porta principal que diz:

“Sipultura de Frey D. Pº Henriques, Señor e Comendador de Vª de Oliveira do Hospital da Ordem de S. João Baptista, para seu corpo somente.”

            O outro está junto da capela de S. Bartholomeu e diz:

“Sipultura de Ruy de Brito de Monrroyo e de sua mulher D. Joanna de Castº Brº e para seus descendentes era de 1679.” (Estêvão da Gama, p. 60)

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(1) A igreja que anteriormente ficava no local da actual, ficara muito danificada pelo bombardeamento da vila durante o cerco de 1712. Estando em processo a sua restaurção, foi fortemente atingida pelos efeitos da explosão de 1732.



publicado por Francisco Galego às 00:03
Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

OS CONVENTOS FRANCISCANOS  DE SANTO ANTÓNIO  E DE S. FRANCISCO

“.... Frey Amador da Sylva, que fundou o convento de Santo António em Campo maior, por  Bula de Alexandre Sexto (Papa desde 1492 a 1503), em que lhe concede faculdade para fundar convento em qualquer parte de Portugal, passada no ano de 1493. E tinha por companheiro Frey Jorge de Payva, natural da mesma vila de Campo Maior e, por esta razão, findaram nela e não em outra parte. E o dito Frey Jorge de Payva foi guardião e no Breve se vê que eram sujeitos somente à Santa Sé Apostólica e que podiam tomar noviços e despedir frades e fazer tudo que bem lhes parecesse.”

 (Estêvão da Gama, p.106)

“… os religiosos de S. Francisco, no ano de 1645 … por se lhe ter demolido o seu convento, a respeito da nova fortificação que El-Rei D. João o 4º mandou fazer para defesa deste Povo, por ser a Praça de maior importância para protecção desta Província ... se acomodaram na Igreja do Castelo os religiosos, porque havia casas contíguas à Igreja de que fizeram celas e nela se mantiveram até ao ano de 1709, em que puderam ocupar o novo Convento que lhes mandou construir D. Pedro II).”

(Estêvão da Gama, p.51)

...“foi grande a violência das minas com que foi demolido o convento dos frades…(1645)”

(Estêvão da Gama, p. 107)

“ Há nesta vila um convento de frades de S. Francisco da Província dos Algarves. Do seu primeiro convento não há notícia certa do ano em que foi edificado. Porém, dizem, era dos melhores da Província, com uma grande cerca e fontes perenes, que ainda hoje se conserva uma com o nome de fonte dos frades[1]. Este convento se demoliu no ano de 1645, a respeito da nova fortificação desta Praça, que foi avaliado pelos engenheiros em sessenta e cinco mil cruzados. Os religiosos se acolheram à Igreja Matriz do Castelo, a qual se  alargou com mais algumas casas contíguas a ela, em que se enclausuraram e assistiram até ao ano de 1709 em que mudaram para o convento novo que, por ordem de D. Pedro o 2º, se edificou por conta da dívida e quantia em que o outro foi avaliado.

            ( O novo convento...) é todo de abóbadas, sem que tenha outra madeira mais que as das portas e janelas. Tem todas as oficinas acabadas e só lhe falta a Igreja para a qual S. Majestade, que Deus guarde, lhe fez mercê de lhe dar uma consignação anual de seiscentos mil réis até que se aperfeiçoasse de todo o dito Convento. Ele está situado na parte mais eminente da Vila, junto ao Baluarte de S. Sebastião, tem cómodo para vinte frades e tem bastante cerca.”

(Estêvão da Gama, p. 61 e 62)

 “No Convento de S. Francisco, que havia muitos anos se achava sem Igreja, esta se tinha feito pelo cuidado do guardião, o padre Frey Fellipe de Santiago que, com esmolas e a sua grande aplicação, a tinha acabado no ano passado (1731).

 (Com a explosão de1732) “Arruinou-se o Convento de S. Francisco, mas não caiu a sua Igreja. Apenas o frontispício dela, algumas celas e a cerca, padeceram grande estrago.”

A Igreja do Convento e a sua cerca constituíram, durante mais de cento e cinquenta anos, um dos lugares de enterramento dos moradores da terra, tornando-se, a partir do século XVII, no maior cemitério da vila.

(Estêvão da Gama, p.s 136 e 138)

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[1] Que depois deu origem à Fonte das Negras.

 



publicado por Francisco Galego às 00:06
Sábado, 19 de Novembro de 2016

IGREJA E HOSPITAL DA MISERICÓRDIA

 

Relação dos morgados, capelas e legados que administra a Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior, títulos por que possui a sua aquisição. (Documento existente no arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior)

            “Fundada neste Reino de Portugal pela Sereníssima Rainha D. Leonor, Mulher de Sereníssimo Rei Senhor D. João Segundo a Irmandade da Misericórdia, em Agosto do ano de mil quatrocentos noventa e oito, se erigiu e fundou a Irmandade e Casa da Misericórdia de Lisboa que os senhores Reis, Rainhas e Príncipes Regentes deste Reino, concederam muitos e grandes privilégios. Depois foi fundada a Irmandade e Casa da Misericórdia nesta vila de Campo Maior que participa agora de todos os privilégios da Misericórdia de Lisboa por Alvará do Sereníssimo Rei D. Filipe III de 22 de Fevereiro de 1618 registado no Livro dos Privilégios e se rege pelo compromisso da Misericórdia de Lisboa. Dela fundou e erigiu Casa e igreja no Terreiro que agora chamam da Misericórdia Velha onde se conservou até ao ano de 1717 em que se erigiu nova Igreja no lugar aonde hoje existe (…)

            Havia naquele tempo nesta vila um hospital que construíram Diogo Lopes e sua mulher Maria Rodrigues nos anos de 1485 a 1487 pelos testamentos registados no tombo (…) dos quais consta das fazendas de que se compunha que se declaram adiante. Sendo administrador do dito hospital e suas fazendas um Domingo Lopes, este em 25 de Outubro de 1598, dotou este mesmo ao Provedor e Irmãos da Misericórdia desta vila a administração do dito hospital, suas fazendas e rendas pela escritura registada no tombo (…) que Sua Majestade confirmou por alvará de 8 de Junho de 1600.”

"A primeira Igreja da Misericórdia foi construída na primeira metade do século XVI no largo do mesmo nome, hoje Largo Barão de Barcelinhos. Edifício que durante mais de um século e meio foi lugar escolhido para sepultura de algumas das famílias campomaiorenses mais influentes. A referida igreja tinha configuração rectangular, com a frontaria virada para os ‘Cantos de Cima’ e as traseiras para a já então denominada Rua João Rosado e possuía dimensões muito reduzidas. Por esta razão foi mandada demolir nos inícios do século XVIII, sendo erguida em sua substituição a actual, contígua ao hospital ao fundo da Rua do Poço.”

(Rui Vieira, 1999, p. 129 e 130)

"… Assentaram que por estar muito danificada a Igreja e necessitar de se fazer de novo, se demolisse aquela e se edificasse outra junto do hospital para que se pudesse comunicar e serem assistidos os enfermos com os Sacramentos pelo capelão da Casa, o que não se fazia até ao presente porque, como a Igreja era separada, não havia Sacramento nela e vinha o viático da freguesia para os enfermos. E com efeito se demoliu a Igreja velha e se edificou a nova com a porta principal para a Rua de Poço e a porta travessa para a Rua dos Gramáticos. E se acha em termos de se fazerem as abóbadas este mesmo ano. (1722, ano em que Estêvão da Gama envia as “Notícias..” à Academia Real de História) (Sobre a porta principal está inscrita a data de 1725, provavelmente a da conclusão da obra).”

(Estêvão da Gama,  p. 56)



publicado por Francisco Galego às 00:06
Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016

 

A "IGREJA NOVA" (OU MATRIZ)

 

“ No ano de 1574, os vereadores: Thomé Affonço, António de Payva e Jorge do Rego, cavaleiros fidalgos, estes fizeram um acórdão em que se juntou todo o povo e propuseram que a Igreja da Matriz, era velha e muito pequena, em que não cabia o povo, porque quando se fizera não tinha mais de 300 vizinhos e agora passava de mil, se pedisse a El-Rei faculdade para se fazer outra e ao Bispo uma ajuda do custo”. (Estêvão da Gama, p. 121 e122)

“Ano de 1585… Neste ano veio a Provisão para se fazer a Igreja Nova (1), e se assentou ficasse também a Velha (2) e se partissem os fregueses pelo meio, para que houvesse duas freguesias.”

“Ano de 1610… Neste ano se arrematou a obra da Igreja Nova. No ano de 1645,  ainda não  estava aperfeiçoada, faltando-lhe as torres para os sinos e a guarnição por fora de toda ela. Só no ano de 1662 estava a igreja completada. (Estêvão da Gama, p. 123).

(A nova matriz) é um grande templo de três naves, com duas ordens de colunas de pedra a que chamam "gram". Tem três ao comprimento formando, de umas a outras, arcos sobre que se sustentam as abóbadas. Tem de comprimento sessenta e oito côvados e de largura trinta e quatro. A capela-mor é de bastante grandeza, tem tribuna… O retábulo é todo de alvenaria, com colunas retorcidas, cornijas e cimalhas, tudo estucado e pintado e excelente arquitectura. Tem duas capelas colaterais, uma da parte do Evangelho, de Nossa Senhora da Piedade…onde está sepultado o Bispo de Coimbra D. Martinho Afonso Mexia (3),  Para a parte da Epístola está a de Nossa Senhora do Rosário que é dos soldados do Regimento de Infantaria desta mesma guarnição, por cuja conta corre o ornato dela. Estas duas capelas têm mais vão que aquele que ocupam os altares. Tem outras duas nos lados que formam o grande vão do Cruzeiro: uma do Santíssimo Sacramento para a parte do Evangelho…Outra de Nossa Senhora do Rosário, defronte desta…a imagem da Senhora é de formosa escultura. Segue-se a esta capela, já no corpo da Igreja, a de Nª Senhora do Desterro. A esta segue-se uma porta colateral que fica a nascente. Segue-se-lhe outra capela, de Nª Senhora do Carmo e, no fim dela, corre a parede do frontispício em que está a porta principal que fica ao meio-dia. E em cima dela está o coro espaçoso e claro de que se não servem os clérigos por estar sem ornato nenhum e lhe ser mais cómodo rezarem na capela-mor. A esta porta segue-se a Pia Baptismal (4), que é uma casa de bastante grandeza. Segue-se esta parede a outra e logo a capela de S. Miguel e das Almas…e desta se segue outra porta colateral para o poente e a esta a capela de Nª Senhora da Encarnação e a ela a já referida capela do Santíssimo.

Todas estas capelas foram pintadas entre os anos de 1719 e 1720, de excelente pintura dos Mestres Manuel dos Reis e António Pimenta da cidade de Lisboa, ambos discípulos do grande pintor Bacareley.

Há nesta Igreja três sacristias: uma dos clérigos, outra dos Irmãos do Santíssimo e outra de Nª Senhora do Rosário.

A entrada da porta principal é feita por duas ordens de escadas de pedra. Tem um adro muito espaçoso.

A fábrica desta Igreja(5) são umas terras que no presente rendem setenta e cinco mil réis, cuja arrematação fazem os oficiais da câmara e que foram deixadas por uma mulher de que se não sabe o nome, mas que é coisa muito antiga. Desse dinheiro se paga ao organista e o mais se despende nas obras e reparos da Igreja.”

 (Estêvão da Gama, ( p. 47 a 51 e p.s 122 e 123) 

 

 Notas:

(1) No século passado, o povo designava esta igreja como a Igreja Nova, e o largo onde se encontra como Largo da Igreja Nova. Raramente era designada como a Matriz.

(2) A antiga matriz, dentro do castelo.

(3)Este bispo era natural de Campo Maior.

(4) Segundo documentos antigos, esta pia baptismal teria vindo da antiga igreja matriz, no castelo, que fora demolida e nela teria sido baptizada Santa Beatriz da Silva. De facto, esta peça parece esculpida de uma forma que aponta para uma data bastante anterior à da construção desta igreja.

(5) A "fábrica desta Igreja" significa o conjunto de bens que, com os rendimentos que geram, garantem a sustentação das despesas com os seus serviços e obras de conservação e restauração. Numa perspectiva mais jurídica, a Fábrica da Igreja é a entidade que representa oficialmente a mesma, em todos os assuntos de ordem administrativa. A Fábrica da Igreja é normalmente a proprietária dos bens paroquiais afectos ao exercício do culto. tendo a incumbência de  administrar os bens eclesiásticos da paróquia.

 

 Nota Final:  Com a grande explosão da torre de menagem, em 1732, “arruinou-se o coro e o frontispício da Igreja Matriz, algumas das suas abóbadas e colunas, quebraram-se todas as portas e algumas imagens.”(Estêvão da Gama, p. 138).

A Igreja, serviu de escudo ao pequeno número das casas que ficavam perto do grande edifício que susteve a maior parte do chuveiro de pedras da torre. Mas o magnífico templo, que susteve o maior ímpeto do castelo, sofreu algum destroço, destruindo-se todo o frontispício e a abobada do coro que estava sobre a porta principal e que era obra de pedraria e muito forte. Também ficaram danificadas as abobadas das suas três naves e algumas das colunas que são de cantaria. Quebraram-se as portas, tendo as principais sido arrancadas com tal violência que foram parar junto ao altar-mor. Nem as imagens ficaram incólumes de tamanho ímpeto.

Para remediar a ruína (...) mandou D. João V “aplicar a terça do concelho para a reedificação da Igreja Matriz…” (Estêvão da Gama, p. 141)

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Domingo, 13 de Novembro de 2016

IGREJA DO CASTELO

(De Santa Clara)      

( De Nª Sr.ª da Assumpção)

A antiga Igreja Matriz, também designada, primeiro de Santa Clara e depois de N.ª S.ª da Assunção, foi erguida provavelmente na segunda metade do século XIII, no interior da cintura medieval onde se localizava a chamada Vila Velha.

Templo  não alheio às inovações, uma vez que, na segunda metade de Quinhentos, ostentava numa das suas torres um relógio mecânico que cronometrava o tempo ao longo do dia e da noite, ao contrário dos seus antecessores, menos rigorosos e impossibilitados de fornecerem as horas durante a noite, dado que se baseavam na observação da altura do sol para medir a passagem do tempo.

Contudo, em 1574, por ser a igreja muito velha e não caber nela o povo, foi decidida a substituição da antiga Matriz por outra mais ampla e edificada em lugar central.

(Estêvão da Gama, p. 47)

“A primitiva igreja matriz (Igreja de Santa Clara do Castelo) foi no lugar onde hoje se vê o armazém que agora serve de teatro e uniam-se com a igreja as 16 habitações onde estiveram provisoriamente recolhidos, por 64 anos, os frades franciscanos depois da demolição, em 1645, do convento com a invocação de S. António que tinham fora da vila. Só em 1709 passaram elas para o novo (o actual Convento de S. Francisco), onde estiveram até à extinção das ordens religiosas em 1834.”

(João Dubraz, p. 193)

            (Em 1732) “No Convento antigo dos frades de S. Francisco, que era no Castelo e na Igreja que agora era armazém, se descobriu uma imagem do Padre Eterno que havia mais de 400 anos que estava oculta e, principiando a piedade católica a venerá-la, principiou o mesmo Senhor a fazer milagres e a concorrerem romeiros, de sorte que, com as esmolas, se lhe fez uma nova Igreja com boa arquitectura e se estava a aumentá-la e orná-la com tudo o que fosse possível.”

            Quando se deu o rebentamento do paiol que estava na torre grande, “arruinou-se a Igrejinha do Senhor do Castelo, mas a capelinha em que está o Senhor ficou sem lesão.”

(Estêvão da Gama, p.s 136 e 138)

 

 Nota: O primeiro convento - O Convento de Santo António -  localizava-se no actual Campo da Feira, mais ou menos onde estão as instalações comerciais pertencentes à família Garrancho. Note-se também que, a meio da Rua de São Francisco, do lado direito de quem sobe, fica a Ruínha de Santo António que dava acesso ao referido convento, antes de esta rua ter sido cortada pela construção da cortina de muralha que unia o Baluarte de S. Francisco, ao Baluarte da Fonte do Concelho. A ruínha de agora, termina numa escadaria construída para se ter acesso à estrada militar que ficava do lado de dentro da fortaleza, ficando do lado de fora o fosso que foi tapado para construção do terreno que serve de estacionamento e de chão das feiras. Assim, os nomes destas duas ruas, testemunham a existência neste lugar do desaparecido Convento de Santo António, de monges franciscanos, demolido por volta de 1645, devido à necessidade de tornar a vila uma praça de guerra capaz que suster qualquer tentativa de invasão de Portugal por tropas castelhanas, na eminente Guerra da Restauração. Os monges foram provisóriamente instalados no castelo, no lugar da antiga matriz. (1640 - 1668).  



publicado por Francisco Galego às 00:07
Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

 

A Ermida de São João Baptista ou Sâo Joãozinho

 

Segundo Estêvão da Gama de Moura e Azevedo:

 

Das ermidas de que fala o Dr. António Novaiz, não existe ao presente mais do que a de São João Baptista, de cuja imagem se ignora o escultor e, na fé dos moradores, há a tradição de que foi a primeira que se colocou no seu templo milagrosamente. É certo que é escultura digna de reparo, porque todas as que formam os artífices do Baptista são de juvenil parecer, mas esta é de maior idade, e parece que corre com a decadência dos anos querendo a milagrosa Imagem se veja nela prodígio. Porque em todos os homens é tão natural esta velhice que se representa aos seus devotos, não só na matéria, senão na representação.

            É certo pelo que dizem os doutores Novaiz e Varella que, no  tempo da peste, que foi no ano de 1520, os moradores desta vila despejaram as suas casas e fugiram para os campos, fazendo choupanas (choças), para se resguardarem das inclemências, juntando-se a maior parte deles num sítio que ainda hoje conserva o nome das Choças.

            Havia naquele tempo um homem virtuoso que se chamava Gonçalo Rodrigues, hortelão de uma pequena horta que fabricava para sua sustentação. Entregue uma noite ao sono, acordou obrigado por uma grande inclemência de resplendores, parecendo-lhe que a vizinhança do solo o despertava para continuação do seu trabalho. Mas logo divisou que aquelas luzes eram maiores que as naturais e, entre elas, viu um homem que era o divino precursor de Cristo que o chamava para que o fosse portador da boa nova que enviava àquele afligido povo. E, dizendo-lhe quem era, lhe disse também que fosse da sua parte dizer àqueles moradores que se recolhessem porque tinha secado o castigo. E, achando-se o hortelão indigno de lhe darem crédito lhe tirou o Santo um lobinho que tinha na cabeça e lho pôs no peito do pé esquerdo, para que servisse aquele sinal de verdadeiro testemunho do seu recado. Expressando o Santo que os moradores deste Povo nunca mais sentiriam semelhante castigo como aquele que, havia dois anos, experimentavam. E que, por memória da sua poderosa intercessão junto de Deus, queria que lhe fizessem uma Igreja no sítio dos Escovais.

            Foi Gonçalo Rodrigues fazer presente aos moradores deste aparecimento e promessa do Santo e logo se lhe deu crédito, não tanto pelo que pertencia aos ouvidos senão aos olhos, porque ali a fé se não definia.

 

Nota: Desde as suas origens, até há não muito tempo, foi esta ermida local de peregrinação, de pedidos de ajuda e de pagamento de promessas por graças recebidas. Ainda até meados do passado século, em noite de São João, aí se faziam animados festejos - "o Arraial de São Joãozinho", congregando grande parte da população, com bailaricos que começavam pelo meio da tarde e se prolongavam pela madrugada, sendo também muito assistido e participado um leilão de oferendas (as Fogaças).  O dinheiro conseguido  servia  para manutenção do sítio e do culto a "São Joãozinho" maneira carinhosa como o local  era e é, ainda hoje, designado.

Parte da população mantinha também a tradição de ser neste o local que  celebrava o dia de Páscoa, indo até ele para comer o "folar".



publicado por Francisco Galego às 00:02
Segunda-feira, 07 de Novembro de 2016

IGREJA DE SANTA MARIA

            …” para a parte da Ermida de S. Sebastião,  se fundou a segunda igreja de que há memória que se chamava de S. Maria, no reinado de D. Fernando, a qual foi Matriz. (…)

 “Em tempo de El-Rei D. Manuel era o arrabalde já maior que a Vila, estendendo-se para a parte da ermida de S. Sebastião, aonde se fundou a segunda igreja de que há memória que se chamava de Santa Maria, no reinado de El-Rei D. Fernando, a qual foi Matriz. Consta isto pela “Crónica de El-Rei D. João primeiro”, por Fernão Lopes, parte primeira, capítulo CVII, …”e estando fora da vila em uma Igreja que ahy se faz…”        (Estêvão da Gama, p. 43)

           

Esta igreja durou até á aclamação de El-Rei D. João o quarto e se demoliu em Domingo, 24 de Abril de 1644, a respeito da nova fortificação que se mandou fazer e em uma parede se acharam cinco mil réis em vinténs, conforme umas memórias daquele tempo que estão em nosso poder.

(Estêvão da Gama, p.44)

Nota: Depois da Igreja de Santa Maria, foi  construida, dentro do castelo, a Igreja de Santa Clara que passou  a funcionar como Igreja Matriz até que, em sua substituição, foi construida a "Igreja Nova" que, passou a ser Igreja Matriz, até à actualidade.



publicado por Francisco Galego às 17:59
Sexta-feira, 04 de Novembro de 2016

 

A ERMIDA DE S. SEBASTIÃO

Aires Varela, cónego da sé de Élvas e vigário geral do seu bispado, no documento “Sucessos que houve nas fronteiras de Elvas, Campo Maior e Ouguela”, no primeiro ano da Recuperação[1] de Portugal que começou no 1º de Dezembro de 1640 e findou no último de Novembro de 1641”, escreveu:

Campo Maior, lugar de mil e duzentos vizinhos; tem o castelo e a vila velha, que é cousa pouca, situados em uma eminência superior a todo aquele território, bastante murado; mas a vila nova, que é corpo da povoação, está em plano aberto e sem defesa alguma.

O monte de S. Sebastião, que toma o nome de uma ermida deste santo nele fundada, fica a cavaleiro[2] da vila nova. Este lugar faz rosto[3] a Badajoz e Vilar del Rei, com cujos termos parte[4]ora por marcos ora pelo rio Xévora.

(...) Foi Matias de Albuquerque a esta vila; pareceram-lhe bem as trincheiras obradas[5]: ordenou no monte de S. Sebastião um valente baluarte que os daquela vila conseguiram com grande trabalho e gasto.

 

Esta notícia faz referência a uma das mais antigas ermidas da vila de Campo Maior. Na época referida no documento, o seu edifício original terá, provavelmente, sido substituido pelo que chegou até aos nossos dias e que está agora em processo de recuperação.

Foi nesta época e para preparar a defesa do país para a guerra que a Espanha ia iniciar para tentar recuperar o domínio sobre Portugal, que Campo Maior foi dotado de uma fortaleza que a tornou uma das mais importantes praças de guerra para defesa das nossas fronteiras.

Tendo S. Sebastião, pertencido ao exército romano, tornou-se um simbolo de referência para os miliatres. Daí a ermida se ter tornado capela militar, desde meados do séc. XVII até à desativação da praça de guerra, em meados do séc. XIX. A partir daí, foi votada a um abandono que chegou causar a sua  quase total destruição como ainda hoje podemos testemunhar.  

 

[1] Restauração da Independência

[2] Acima de

[3] Tem defronte

[4] Confina, faz fronteira

[5] Construídas



publicado por Francisco Galego às 00:05
Terça-feira, 01 de Novembro de 2016

 

A ERMIDA DE S. PEDRO

(Segundo Estêvão da Gama de Moura e Azevedo)

Dista, esta Ermida, da Povoação de hoje, dois mil passos em terreno plano, com um vale muito fresco, capaz de hortas e pomares com muita água nativa e conserva um chafariz (nome que nos deixaram os mouros) que é do concelho desta vila…

É também ponderável que neste sítio de S. Pedro se apartam vários caminhos e estradas para Mérida, Badajoz, Ouguela, Albuquerque e Arronches.

Numa coluna que estava no alpendre da ermida só se puderam ler as letras de Emeritensis (1), porque as outras foram apagadas pela agressão dos ignorantes do valor destas antiguidades. Há ainda uma outra coluna com parte de uma inscrição.

(…) a Igreja de S. Pedro é uma Ermida feita de paredes de terra e de muito pobre arquitectura sem que tenha demonstração pudesse nunca ter mais avultados princípios. A qual se reedificou nos nossos tempos, porque no da Guerra da Aclamação (2) padeceu grande ruína. As colunas, (grandes pedras que se encontram neste lugar) que ainda se descobrem, mostram que o lugar tinha extensão porque há três anos que, andando um lavrador lavrando uma pequena parcela de terra que está defronte do chafariz, descobriu uma sepultura de que tirou tijolos, para se aproveitar deles, de notável grandeza e qualidade de barro e fica este sítio em bastante distância da Igreja de S. Pedro.

(…) A Ermida de São Pedro …”a qual é de grande romagem dos moradores às quintas-feiras da Quaresma, com indulgência plenária. A Imagem (de S. Pedro) é pintada a fresco na parede em hábito pontifical e se conserva no mesmo estado, como refere o Dr. Novaiz, acrescendo à sua ponderação a circunstância de durante a Guerra da Aclamação, que durou 28 anos, esteve exposta á inclemência dos tempos por se arruinar a Igreja e não teve nenhuma diminuição aquela Imagem, não tendo sido retocada, nem necessitar de nenhum benefício da arte.

Neste sítio estão as colunas de que já se fez menção e outros sinais de edifícios. Há pouco tempo que, a ermitoa que hoje existe, achou uma moeda de ouro de tamanho de uma de seis vinténs, mas muito delgada e com um bocado menos na circunferência. Porém, de uma parte estão as letras bem formadas e se lê nelas Toleto Pios, cuja moeda se acha em poder de Estêvão da Gama de Moura e Azevedo, Governador desta Praça...”

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 (1) - Referente a Emerita Augusta (Mérida), capital de uma província romana.

(2) - Guerra entre Portugal e Espanha que começou com a Restauração da Independência de Portugal, em 1 de Dezembro de 1640 e terminou com o Tratado de Madrid, firmado em 5 de Janeiro de 1668.

Comentário complementar: Neste local em que se encontra a Ermida de S.Pedro, no cruzamento de estradas criadas no período romano, para ligarem Mérida a outras urbes localizadas no actual território portuguguês, há razões que apontam para a possibilidade de que seria o local de Ad Septem Aras (a), ou seja, o local que servia de apoio aos viajantes, com um templo - lugar sagrado para as oferendas e súplicas de protecção dos deuses -, lugar de repouso -  com água abundante para banhos -, tendo adjacente um cemitério, chão sagrado para sepultar os mortos. A forma, a volumetria do edifício, a sua localização e os vestígios arqueológicos encontrados, justificam que alguns estudiosos tenham feito essa interpretação. Só estudos ponderados poderiam trazer dados que permitiriam confirmar tal suposição. 

(a) À letra, significa "das sete aras", (ou seja,dos sete altares).



publicado por Francisco Galego às 00:09
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