Segunda-feira, 03 de Outubro de 2016

Do século XIII ao Século XVIII

Uma Provisão de D. João III, do ano de 1549, refere que as casas que o concelho tinha e que serviam de Audiências e Câmara que estava dentro da Vila Velha, tinham caído pouco depois do ano 1545. O mesmo documento revela não só a intenção de as autoridades locais mandarem erguer novos edifícios municipais, em substituição dos antigos, já arruinados, como o desejo de os construirem numa praça do lado de fora do castelo. Para tal fim solicitaram do rei autorização para o derrube da parte da barbacã necessária à execução da nova Câmara e da Praça.

Em 1550, D. João III autorizou que a Câmara Municipal de Campo Maior arrendasse a defesa do Carrascal por dois anos para que se pudesse fazer um açougue, tal como as Casas da Câmara e das Audiências, na nova Praça. O rei concedeu que se lavrasse e se arrendasse por três anos a defesa do Carrascal, sendo a renda de um ano para o mosteiro de Santo António e o outro para as ditas despesas, pois que, as casas que o concelho tinha, que serviam de Audiências e Câmara e que estavam dentro da vila velha, caíram. Por isso, de acordo com a maior parte do povo e dos homens-bons em Câmara, ordenou que se fizessem as ditas casas junto da Praça ao longo do muro da barbacã, por dentro, porque assim pouparia muito a vila. Foi também decidido que, por debaixo dessas casas ficassem alpendres onde se pudessem vender as coisas da dita vila. Por ordem real foi mandada derrubar a barbacã que estava defronte das ditas obras bem como, sendo necessário, a barreira até ao castelo.

As instalações destinadas a sede do poder local ficaram assim encostadas ao muro do Castelo pelo lado de fora, no vão entre as duas torres, no local onde existia uma porta de acesso à fortaleza e à Vila Velha, antes do desastre que, em 1732, destruir parte do Castelo e da Vila.

O edifício camarário da época de Quinhentos, erguido na actualmente designada Praça Velha, estava encostado aos muros exteriores do Castelo. Um documento da época descreve que tinha de vão no pavimento cinco varas de largo, uma escada de dois lanços e duas salas, uma das audiências e outra das vereações, com quatro janelas rasgadas, uma em sacada e por baixo outras duas casas. Junto ao muro achava-se um vão em quadrado, onde antigamente tinha existido a desaparecida ermida chamada do Espírito Santo.

A antiga Praça, com os Paços do Concelho no seu lado sul, em frente dos quais não faltaria o tradicional pelourinho, o açougue e o touril, no lado norte,  a cadeia a nascente, rodeada de palanques e alpendres sob os quais se instalavam as tendas onde se transaccionavam as mercadorias necessárias à subsistência quotidiana dos campomaiorenses. Esta praça constituiu, desde meados do século XVI às primeiras décadas do século XVIII, o centro político, administrativo, comercial e cívico do concelho do concelho de Campo Maior.

            Segundo a placa que foi trasladada para o arco de acesso à Praça Nova, o edifício da câmara só estaria concluído em 1618, reinando então em Portugal, Filipe III de Espanha.

 

A partir de 1732

            Para acudir ao estado de ruína em que ficou a vila depois do rebentamento da torre de menagem e do castelo em 1732, D. João V mandou “dar o acréscimo do depósito comum e 400 moios de trigo para se fazer uma Praça Nova, as Casas da Câmara, Açougues e Cadeia, nos quintais que há entre a Rua da Canada e a do Manantio, com entradas para estas e para a Rua de S. Pedro, cuja obra se devia desde logo principiar. As Casas do Senado da Câmara, e a residência dos Juízes de Fora foram construídas como obras de nobre arquitectura. Não chegaram porém a acabar-se em conformidade com o plano que delas se delineou e, só por isso, não poderão ser as mais completas da Província do Alentejo.

            O edifício da Câmara ocupa o lado ocidental da Praça Nova. A fachada que dá para a rua de S. Pedro, é de traça muito geométrica com quatro portas ao nível do rés-do-chão e nove janelas, ficando as do lado norte a nível do rés-do-chão  e as do sul a nível do primeiro andar.

            A Biblioteca de Campo Maior esteve instalada em salas do primeiro andar da Câmara. Mais tarde foi instalada no mesmo edifício, mas na rua Major Talaya, na porta a seguir à que foi da PSP onde, até há pouco tempo, esteve o serviço municipal de águas Aí, junto à ombreia do lado esquerdo de quem entra, esteve a inscrição Aula de Latim – Português, depois substituída pela de Biblioteca Municipal. Nos anos 20 do século passado, no primeiro andar da aula de Latim - Português, ficavam duas salas de aula do ensino primário. Mais tarde foram criadas mais duas salas de aula do edifício da Câmara, no rés-do-chão, com entrada pelo arco formado pelas escadarias e com janelas para a rua Major Talaya, ao nível dum primeiro andar.

 



publicado por Francisco Galego às 00:01
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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