Domingo, 20 de Setembro de 2015

A palavra oximoro, hoje quase em completo desuso, provém do grego oxymoron ( ὀξύμωρον) e significa uma combinação de palavras aparentemente contraditórias ou incongruentes.

Lembrei-me dela a propósito desta fase que a nossa civilização, dita ocidental, de origem europeia, de base ética cristã e de tendência politica democrática, parece estar a atravessar.

Trata-se de uma sociedade de avançada industrialização, formalmente democrática, mas que, efectivamente, se foi transformando numa espécie de "totalitarismo capitalista", em que os Estados funcionam de modo a protegerem uma politica financeira em que os lucros se acumulam em favor dos privilegiados e os prejuízos são suportados pelos impostos que sobrecarregam os mais desfavorecidos.

Os grandes grupos económicos, investem no sentido de fazerem eleger políticos que estejam deles dependentes ou que sejam concordantes com os seus projectos para, deste modo, assegurarem o controlo do poder político. 

O mais grave é que, a maioria dos ditos cidadãos, embora tenham legalmente o poder de eleger os que governam, ou se abstêm de participar na vida política, ou usam esse poder sem critérios que garantam a tomada de decisões que defendam os seus direitos, atendam às suas necessidades e aos seus intereses.  Pouco esclarecidos, não mostram capacidade para exercer a sua cidadania. São mantidos num nível cultural muito baixo, pois, mesmo quando têm certo grau de frequência escolar, tem uma fraca capacidade critica que não lhes permite analisar as causas que determinam as condições em que são condenados a viver. Por isso, tudo aceitam sem revolta, numa pasmada conformação, indiferentes às condições que lhes são impostas.

Por muitas razões, parece que poderemos estar a caminhar para o fim, sem sabemos do quê, nem como, nem para onde caminhamos. Porque, uma coisa é certa: Uma sociedade fundada em bases tão desiquilibradas, não pode subsistir por muito tempo.

Portanto, poderemos dizer que vivemos numa situação que se define por um “oximoro”, ou seja, numa sociedade que, sendo formalmente democrática, o Estado funciona segundo o interesse e o poder de decisão de uma minoria que subjuga completamente a maioria do povo, usando o poder económico que tem para dominar o poder político, o qual governa para garantir uma progressiva acumulação de riqueza aos que muito têm, sem cuidar de garantir dignas condições de subsistência aos que, por pouco ou nada terem, são os que mais precisam de serem apoiados e protegidos. Nestas condições, a política social do Estado, é reduzida ao mínimo. Os investimentos na saúde e na educação, são reduzidos. os salários descem a níveis tão baixos que não sustentam, senão a níveis de podreza, vastos sectores  da população. Deste  modo, existe uma radical contradição entre a maneira como se organizam e funcionam os governos e os principios fundamentais que devem estruturar os estados democráticos.

Nesta situação, os que são formalmente eleitos pelo povo para tomar decisões, elaborar e aprovar leis que garantam e protejam o equilibrio, a liberdade e a ordem nas sociedades, agem segundo os interesses dos mais poderosos que são os que, na sua maioria, têm como fundamental interesse acumular cada vez mais riqueza para assegurarem o poder que isso lhes garante.

A estas situações políticas, a Grécia Antiga -  berço da "democracia" (governo do povo) - chamou "plutocracia"  (πλουτοκρατία), governo dos mais ricos, em grego antigo, plutokrates).

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 09:07
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