Sábado, 05 de Setembro de 2015

 

Alguém me perguntou recentemente, se eu sabia em que data tinha sido construida a Ermida de S. Joãozinho, lugar de romaria, pelo São João, em Campo Maior.

Procurei explicar como o culto de São João é antigo em Campo Maior e ligado a acontecimentos marcantes da história desta comunidade:

                  - O milagre do seu invocado aparecimento no início do séc. XVI, por altura de uma peste que pôs em risco a existência da vila, convencendo a população que se tinha refugido nos campos, a voltar a habitá-la;

                  - O milagre que o povo atribuiu a São João salvando a vila de ser tomada no Cerco de 1712 e que deu origem às actuais "Festas do Povo".

Quanto à contrução do sítio de São Joãozinho, não existem dados certos. Mas, nesta notícia de antigo jornal, aparecem indicações interessantes que convém considerar:

                   1º - No sítio há uma capela mais antiga, provavelmente desde o século XVI, junto à pequena fonte;

                2º - Este texto indica que a Ermida foi inaugurada em Junho de 1866, na celebração da romaria que aí ocorre no dia de São João.

Chamo a atenção de que o texto está assinado pelo Dr. José António Félix dos Santos, homem muito considerado no seu tempo. Natural de Campo Maior, formou-se em Direito em Coimbra, foi advogado em Elvas, era enteado de João Dubraz, um profundo conhecedor da história de Campo Maior.

 

A Voz do Alemtejo, nº 521, 8 de Julho de 1866

Arraial em Campo Maior (José António Félix dos Santos)

“A um kilómetro ao Sul desta vila está situada a ermida de S. João Baptista, lugar onde os campomaiorenses costumam fazer anualmente um arraial ao santo protector da vila e seus habitantes.

É tradição que a imagem de S. João fora encontrada nas figueiras que vegetam junto à ermida e que em recordação deste milagre foi ela edificada.

Como a ermida fosse muito mesquinha e o local destinado para o arraial não tivesse a capacidade necessária para a numerosa concorrência que aí aflui, determinaram fazer outra ermida e arranjar o terreno de maneira que os bailadores pudessem executar as variadas mudanças do predilecto fandango e o redemoinhar da frenética valsa, sem incomodarem, nem serem incomodados pelos espectadores.

Ainda que não está concluída, a nova ermida foi consagrada no dia 22 e, em seguida a esta solenidade, cantou-se uma missa de instrumental a que assistiu parte da Filarmónica Recreativa.

No dia 23 realizou-se o arraial, que esteve esplêndido, tanto pela numerosa concorrência como pela boa ordem que reinou durante o mesmo.

A Filarmónica Barcelinhos assistiu a esta festividade. (1)

(1) Esta filarmónica chamava-se assim porque fora criada, equipada com fardas e instrumentos e sustentada pelo Barão de Barcelinhos que depois recebeu o título de Visconde de Ouguela e que nessa época era o maior proprietário no concelho de Campo Maior. Estas duas filarmónicas mantinham uma acirrada rivalidade e, cada uma delas, estava ligada ás duas grandes parcialidades políticas: os regeneradores e os progressistas. 

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publicado por Francisco Galego às 08:11
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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