Terça-feira, 18 de Março de 2008
Inicio hoje a apresentação de um escritor campomaiorense que nasceu e viveu durante a quase totalidade da sua existência em Campo Maior. Chamava-se João Francisco Gonçalves Brás. Era filho de um comerciante com loja aberta no Largo da Misericórdia, a que o povo chama o Terreiro e quem tem, desde 1869, o nome oficial de Largo Barão de Barcelinhos.
Este escritor nosso conterrâneo, nasceu no dia 20 de Janeiro de 1818, numa época muito conturbada. Portugal foi, no início do século XIX, teatro de guerra entre as duas grandes potências da época: a França e a Inglaterra,
A França era nesse tempo governada pelo imperador Napoleão Bonaparte que, com os seus poderosos exércitos, conquistara toda a Europa. Mas Portugal, que possuía grandes domínios coloniais, dependia em muito do apoio da Inglaterra, grande potência marítima que, com as suas poderosas armadas, dominava todos os mares. Ligava o nosso país à Inglaterra uma aliança que remontava ao reinado de D. Fernando. Por isso, ao contrário da Espanha que se colocou sob a dependência de Napoleão, Portugal resistiu e isso teve como consequência a invasão, por três vezes, do território de Portugal. O país, devido à grave crise que atravessava, não tinha condições para se defender. A rainha D. Maria I, afastada do governo por alienação mental, e o príncipe regente D. João que em seu nome governava, fugiram com toda a corte para o Brasil para não serem obrigados a abdicar do trono e da independência do país em favor de Napoleão, como aconteceu com os espanhóis.
Em defesa dos seus próprios interesses foram os ingleses que vieram combater os franceses em Portugal. Com o apoio da população os ingleses venceram e as tropas napoleónicas, derrotadas, foram expulsas de Portugal. Mas, com a corte ausente, os ingleses ficaram a governar o país no qual se comportavam como se de uma colónia sua se tratasse. Cresceu na população um sentimento de revolta e um profundo desejo de recuperar a independência e a dignidade face à usurpação estrangeira, o que veio a acontecer com a vitoriosa Revolução Liberal de 1820.
Foi neste ambiente que cresceu e viveu João Dubraz na vila de Campo Maior. Nele se definiu uma intransigente atitude de nacionalismo de convicções profundamente liberalistas que o levaram a tomar posição contra todas as formas de opressão e manifestações de tirania.
Ainda adolescente começou a participar nos grandes acontecimentos políticos que se verificaram na sua época. Empunhou as armas e combateu em defesa dos seus ideais. Chegou a ser distinguido com a graduação em postos de destaque dentro das forças militares de Campo Maior. Foi um político combativo, empenhado e de uma coragem muitas vezes enaltecida pelos seus contemporâneos. Ocupou cargos de destaque na administração local. Chegou a desempenhar o cargo de administrador do município de Campo Maior.
Tudo isto teve como contrapartida grandes inimizades, ressentimentos profundos e odiosas perseguições. Perseguido e preso conheceu a deportação e o exílio forçado.
Quando entendeu que o país, com o advento da Regeneração em 1851, estava pacificado e atingira condições de estabilidade social e governativa, afastou-se de toda a actividade política. Dedicou-se por algum tempo ao comércio como seu pai. Casou. Estabilizou. Ganhou condições para se dedicar às actividades que mais apreciava: ler, aprender, estudar, escrever.
Este homem, que eu considero o maior escritor campomaiorense de todos os tempos, conseguiu pelo seu próprio esforço de autodidacta adquirir um nível cultural tão elevado, que se tornou um competente professor de Francês, Português e Latim. Adoptou o pseudónimo literário de João Dubraz por afrancesamento do seu nome de família. Escreveu na maior parte dos jornais que se publicaram em Elvas no século XIX e publicou várias obras muitos apreciadas no seu tempo e que hoje constituem uma das mais importantes fontes para o conhecimento da história de Campo Maior.
 


publicado por Francisco Galego às 15:00
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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