Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
FOGO NAS EIRAS DO ROSSIO
 
 “No dia 21 do corrente pelas 3 horas da tarde manifestou-se o fogo nas eiras públicas do Rossio de S. Pedro desta vila … naquele local havia próximo de 3 mil a 4 mil móios de trigo … sendo o Sr. administrador do concelho o primeiro que se apresentou no sítio do fogo à testa do qual se conservou…para evitar que o fogo se comunicasse aos mais celeiros contíguos, que não seriam menos de 800.
Não sendo menos dignos de iguais encómios e felicitações os mui nobres proprietários que correram de pronto ao lugar do incêndio… e ainda mais se deve ao geral da povoação que, ouvindo tocar o sino da câmara, abandonaram as suas casas, correndo da melhor vontade e voto próprio a acudir a um tão inesperado incidente…tornando-se muito distintos por esta ocasião os serviços prestados pelos senhores: subdirector da alfândega José das Dores; os artistas José António de Bastos, José Mendes da Mota, e Dâmaso de Albuquerque; os trabalhadores Manuel dos Santos Valadim, José Duarte, Manuel das Chagas e outros muitos cujos nomes ignoramos (…)”
 “A subscrição aberta pelo bondoso chefe da administração pública Sr. António César Lima Leitão em favor do infeliz António Rodrigues Valente a quem o fogo manifestado na eira no dia 21 do corrente reduzira à maior desgraça e miséria a quem o infortúnio havia roubado por meio das chamas, cerca de 20 moios e trigo.
Havendo 800 milheiros de trigo na eira, logo a fatalidade escolheu ser o do mais pobre que havia de arder. Devorando cerca de 20 moios de trigo que ficaram reduzidos a cinzas.          
O fogo foi lançado por descuido e pouca atenção. Ao que parece, alguém meteu uma caixa de fósforos no colete e, com o calor do sol, estes incendiaram-se.
Também, a força militar estacionada actualmente nesta terra é tão diminuta que não serve para qualquer eventualidade de maior alcance. Neste caso, apenas compareceram no incêndio 8 homens e 1 sargento, porque o resto do pessoal estava de serviço. E é com esta força disponível que se podem policiar entre 3 a 4 mil pessoas?
Não nos podemos conformar que, numa terra como Campo Maior onde já estiveram dois regimentos, se coloque agora um destacamento de 25 baionetas.”
(A VOZ DO ALEMTEJO, Nº 258 e 259, 25 e 29 de Setembro de 1863)
 


publicado por Francisco Galego às 10:40
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
mais sobre mim
Janeiro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
25
26

27
28
29
30
31


arquivos
pesquisar neste blog
 
Visitas
blogs SAPO