Segunda-feira, 03 de Fevereiro de 2014

Estes versos, feitos para serem declamados, podem ter um ritmo e uma métrica diferentes e caracterizam-se pelo encadeado dos versos em função do tema escolhido como nuclear de cada poema.

A preocupação central destas com posições poéticas, é essencialmente narrativa. Em muitas delas predomina a ironia. Outras são mais descritivas, tendo frequentemente um intenção moralizante.

Quanto à estrutura formal, nas “décimas” aparece primeiro uma quadra a que se chama mote. Seguem-se depois quatro estrofes de dez versos (daí o nome décimas). Cada uma dessas estrofes ou décimas, acaba com o verso que, pela mesma ordem, aparece na quadra de mote. Assim, o primeiro verso do mote é o último da primeira décima, e o último verso do mote terá de ser o último verso da última décima.

No mote a rima é do tipo a,b,c,b ou a,b,a,b. Nas décimas o esquema de rima é o a,b,b,a,a,c,c,d,d,c.

 

 

VOU CONTAR A MINHA VIDA

 

 

                     MOTE

 

Vou contar a minha vida

 

Aos senhores que estão presentes

 

Desde a hora em que eu nasci

 

Até ao dia corrente

 

 

                     I

 

No dia dezoito de Fevereiro

 

De mil novecentos e trinta e seis

 

Foi nascido este camponês

 

Com o dote de pouco dinheiro

 

Com o meu nome verdadeiro

 

Sempre tem tido voz activa

 

E levo a carreira seguida

 

Na flor da mocidade

 

Isto e só a realidade

 

Vou contar a minha vida

 

 

                     II

 

Nos tempos da minha infância

 

Não queria senão brincar

 

Não é caso para admirar

 

Que eu ainda era criança

 

Aos sete anos fiz mudança

 

Sobre o número dos viventes

 

Seguindo conselhos prudentes

 

Peguei na minha sacola

 

Também entrei numa escola

 

Senhores que estão presentes

 

 

                     III

 

Quando as aulas terminei

 

Quiseram-me meter de caixeiro

 

Fizeram de mim prisioneiro

 

Foi lugar que rejeitei

 

Foi então que me subjuguei

 

Ao que a minha ideia quis

 

E apesar de ser petiz

 

Eu fui p´ra ajuda de gado

 

Por tudo isto tenho passado

 

Desde a hora em que eu nasci

 

                     IV

 

Já fui carreiro e ganhão

 

Adubeiro e corta rama

 

Tenho deixado boa fama

 

Em qualquer colocação

 

Espero mudar de situação

 

Talvez muito de repente

 

Para que venha ser um agente

 

Da guarda republicana

 

E é  historia que me acompanha

 

Até ao dia corrente

 

 

(José Francisco Rúbio)

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 08:18
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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