Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014

Estes versos, feitos para serem declamados, podem ter um ritmo e uma métrica diferentes e caracterizam-se pelo encadeado dos versos em função do tema escolhido como nuclear de cada poema.

A preocupação central destas com posições poéticas, é essencialmente narrativa. Em muitas delas predomina a ironia. Outras são mais descritivas, tendo frequentemente um intenção moralizante.

Quanto à estrutura formal, nas “décimas” aparece primeiro uma quadra a que se chama mote. Seguem-se depois quatro estrofes de dez versos (daí o nome décimas). Cada uma dessas estrofes ou décimas, acaba com o verso que, pela mesma ordem, aparece na quadra de mote. Assim, o primeiro verso do mote é o último da primeira décima, e o último verso do mote terá de ser o último verso da última décima.

No mote a rima é do tipo a,b,c,b ou a,b,a,b. Nas décimas o esquema de rima é o a,b,b,a,a,c,c,d,d,c.

 

 

DÉCIMAS DO SOLDADO 337/60 DO BATALHÃO DE CAVALARIA Nº 1 QUE FOI DEFENDER GLORIOSAMENTE A MÃE-PÁTRIA

 

                              MOTE

 

Adeus lindo Portugal,

 

Adeus meu pai, minha mãe;

 

Se vou à guerra e torno a vir,

 

Sabe-o Deus e mais ninguém.

 

 

 

           DÉCIMA I

 

Adeus linda pátria querida,

 

Adeus terra onde eu nasci!

 

P’ra tão longe vou de ti,

 

Talvez findar minha vida;

 

Esta pena é tão sentida,

 

E p’ra todos tão igual…

 

Adeus linda capital,

 

Já o barco vira a proa.

 

Adeus cidade de Lisboa,

 

Adeus lindo Portugal!

 

 

 

           DÉCIMA II

 

Foi triste a separação

 

Do pai e mãe que me criou;

 

Essa que ao mundo me deitou,

 

Eu trouxe no coração.

 

Desses a quem eu beijava a mão,

 

E me queriam tanto bem,

 

Eu me despeço porém,

 

Com muitas lágrimas a verter.

 

Se os não tornar a ver,

 

Adeus meu pai, minha mãe.

 

 

 

           DÉCIMA III

 

Adeus linda esposa querida,

 

E filho do coração;

 

Em nome duma razão,

 

Que nos pode custar a vida,

 

Nesta guerra tão renhida,

 

Que nos faz daqui sair,

 

Para mais penas sentir.

 

Nós muitos somos casados,

 

Por Deus será determinado,

 

Se vou à guerra e torno a vir.

 

 

 

           DÉCIMA IV

 

Adeus irmãos e cunhados,

 

Adeus parentes e amigos;

 

Sujeitos aos grandes perigos,

 

Nós cá vamos embarcados,

 

Por honra dos aliados

 

E á nossa pátria também.

 

Fiamo-nos na Virgem Mãe,

 

Vitoriosos havemos de ficar,

 

Se eu for r tornar a voltar,

 

Sabe-o Deus e mais ninguém

 

 

 

 

 

(Manuel Paio)

 


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publicado por Francisco Galego às 07:55
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