Sábado, 18 de Janeiro de 2014

Estes versos, feitos para serem declamados, podem ter um ritmo e uma métrica diferentes e caracterizam-se pelo encadeado dos versos em função do tema escolhido como nuclear de cada poema.

A preocupação central destas com posições poéticas, é essencialmente narrativa. Em muitas delas predomina a ironia. Outras são mais descritivas, tendo frequentemente um intenção moralizante.

Quanto à estrutura formal, nas “décimas” aparece primeiro uma quadra a que se chama mote. Seguem-se depois quatro estrofes de dez versos (daí o nome décimas). Cada uma dessas estrofes ou décimas, acaba com o verso que, pela mesma ordem, aparece na quadra de mote. Assim, o primeiro verso do mote é o último da primeira décima, e o último verso do mote terá de ser o último verso da última décima.

No mote a rima é do tipo a,b,c,b ou a,b,a,b. Nas décimas o esquema de rima é o a,b,b,a,a,c,c,d,d,c.

 

 

 

O POBRE E O RICO

 

              MOTE

 

Sendo tu rico e eu artista,

Sem mim não podes passar;

Enquanto eu tiver vigor,

P’ra ti hei-de trabalhar.

 

           DÉCIMA I

 

Quando no mundo me viste,

À miséria reduzido,

Com ela tenho aprendido,

Este pouco que hoje sei.

Sempre p´ra ti trabalhei,

Ainda não tive outra vista,

Logo, se és capitalista,

É com a força do meu braço,

E tudo o que precisas eu faço,

Sendo tu rico e eu artista.

 

           DÉCIMA II

 

Quando no mundo me viste,

Logo de mim precisaste;

Fiz-te o berço onde t’embalaste

E a cama onde dormiste.

Fiz-te o fato que vestiste,

As botas para calçares;

Para te ensinar a andar,

Fiz-te um carrinho com rodas,

Tenho-te feito tantas modas,

Sem mim não podes passar.

 

           DÉCIMA III

 

Faço-te prédios para habitares,

Amasso o pão p’ra comeres;

Faço livros p’ra aprenderes

E leis p’ra me castigares.

Faço barcos p’ra embarcares,

Sou navegante e pescador,

Sou hortelão e lavrador,

Fabrico o vinho que bebes,

E tudo quanto me deves,

Eu quanto eu tiver vigor.

 

           DÉCIMA IV

 

Já não te faço mais nada!

Vou-te fazer um caixão,

P’ra te levarem à mão,

Á derradeira morada.

Vou-te fazer uma enxada,

P’ra teu corpo sepultar.

P’ra teus ossos encerrar,

Vou-te fazer um jazigo,

E já sem ter contas contigo,

P´ra ti hei-de trabalhar.

 

 

(Manuel Paio)


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publicado por Francisco Galego às 08:50
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