Quinta-feira, 10 de Outubro de 2013

A frase em latim que faz o título deste texto e que traduzida à letra quer dizer “Assim passa a glória pública” e significa como é efémera a fama que se alcança e como os que um dia foram glorificados, podem ser completamente esquecidos com o andar do tempo.

 

Vem isto a propósito de duas notícias quase simultâneas que recebi no passado fim-de-semana: a morte de duas pessoas pelas quais guardava um certo afecto e que em certa altura das suas vidas tinham estado bastante relacionadas.

Uma dessas pessoas chamava-se Francisco Rodrigues Monforte Simeão, nascera em Campo Maior a 28 de Fevereiro de 1919 e morreu no passado dia 4 de Outubro de 2013, em Campo Maior, onde viveu toda a sua vida, com a idade de 92 anos.

A outra chamava-se Jacinto Maria da Costa, nasceu na vila do Crato a 27 de Julho de 1924 e morreu com a idade de 89 anos em Camarate, perto de Lisboa, onde viveu a maior parte da sua vida, em 5 de Outubro de 2013, com a idade de 89 anos, mas viveu em Campo Maior na década de 40 e princípios dos anos 50 do século XX.

Eram quase da mesma idade e morreram quase ao mesmo tempo.

 

Mas, para além disso, que mais tinham em comum que justifique serem referidos num texto com este título?

Tinham o facto de terem sido ao mesmo tempo, duas das velhas glórias dum período glorioso da história de Sporting Club Campomaiorense. Era no tempo de transição do futebol amador para o futebol jogado por equipas de profissionais e tinham conseguido, por duas vezes levar a sua equipa a jogar na 2ª Divisão do Campeonato Nacional.

 

Vi jogar ambos, mas tinha pouca idade para formular juízos sobre o seu valor como “Ases” do futebol nesse tempo heróico em que se jogava por gosto e sem expectativa de recompensas para além do aplauso dos que os viam jogar.

 

Muito mais tarde concebi e realizei o projecto de fazer a história do futebol em Campo Maior. Desse projecto resultou a publicação de um livro em co-autoria com Joaquim Folgado. E nesse livro se fala desse que em certo tempo foram heróis muito vitoriados e agora morreram completamente ignorados pelo clube e pela terra onde brilharam pela sua arte e pela sua capacidade como grandes atletas que chegaram ser.

 

Um foi conhecido no futebol e na vida como O Ferrinhos e muitos estarão lembrados de o ver pelo jardim onde passava grande parte dos seus dias.

O outro saiu há muitos anos de Campo Maior e só alguns dos que tenham pelo menos setenta ou mais anos de idade, o recordarão como O Jacinto Costa.

 

O Ferrinhos foi sempre magro aparentando um fragilidade física que desaparecia mal começava a jogar. Era rijo e rápido como poucos e tinha eficácia e valor para ter sido convidado para ir jogar no Vila Real de Santo António, clube algarvio que tinha subido à 1ª Divisão do Campeonato Nacional. Recusou-se a deixar a sua terra, porque o ganho dos futebolistas não era tanto que constituísse atracção suficiente para um homem deixar terra e amigos para ir chutar para outras bandas.

O Jacinto Costa, era duma habilidade e elegância que causava entusiasmo a quem o via jogar. Foi treinar ao Sporting Clube de Portugal que o convidou a integrar o seu plantel. Mas, contas feitas, o que se propunham pagar-lhe, não o convenceu a deixar o seu lugar como torneiro mecânico na Moagem e a continuou a jogar no Campomaiorense. Os tempos eram outros e, por isso, diferentes eram as prioridades e as opções.

 

E, pronto! Para que a sua morte não passe sem qualquer memória, aqui fica esta singela homenagem como recordação.  

 

 

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 08:01
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
mais sobre mim
Outubro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

13
14
16
17
18
19

21
22
23
24
26

27
28
29
31


arquivos
pesquisar neste blog
 
Visitas
blogs SAPO