Quarta-feira, 02 de Outubro de 2013

Leio os textos publicados – sobretudo os comentários –  sobre o processo eleitoral que ainda agora terminou.

Leio e não fico surpreso. De um lado, a habitual maneira de ver tudo pelo lado do confronto, como natural reacção à decepção perante resultados pouco favoráveis. Do outro, a alegria de uma vitória que foi de acordo com as expectativas, ou mesmo superior à expectativa que tinham à partida.

No fundo, ambas as atitudes me parecem pecar por serem pouco adequadas àquilo que verdadeiramente estava em jogo. De facto, não deve uma questão eminentemente política ser tomada como se de uma questão clubística se tratasse.

De uma forma mais esclarecida, pouco importa que o resultado tenha agradado mais a uns, ou menos a outros. O que importa é avaliar as consequências que, previsivelmente, resultarão desta eleição.

Numa primeira análise, podemos chegar a várias conclusões:

 

- Os resultados distribuíram-se de modo muito expressivo pois se polarizaram destacadamente no apoio a uma das organizações políticas que se sujeitou ao escrutínio eleitoral;

- O significado dessa polarização é ainda maior se atendermos que a segunda, no número de votos recolhidos, teve um volume de votos que garante que houve liberdade de expressão e não adianta argumentar em contrário porque se houvesse constrangimentos, esse volume de votos seria inviavelmente muito reduzido;

- A ideia de que o resultado se deve à visão maniqueísta de que tudo se deve ao confronto entre uma força do mal (Poder Económico) e uma força do bem (Poder Político), não é aceitável porque, sendo assim, como entender que tenham sido as forças que mais se apresentaram definidas por projectos ideológicos, as que mais duramente foram afectadas por esta eleição, sendo facto comprovado que são as forças mais politizadas as que costumam ser as mais aguerridas no combate às tentativas de opressão?

 

Se quisermos analisar com objectividade o que se passou em Campo Maior nesta eleição – que era de carácter estritamente local – chegaremos à conclusão de que estiveram de facto em confronto dois projectos que apareceram claramente definidos segundo o conhecimento que a população tinha do que lhe era apresentado e que esse conhecimento assentava na experiência concreta acumulada pela memória recente desta comunidade.

Os eleitores perceberam claramente quem vinha até ela, com que projectos e com que garantia e, foi em defesa dos seus interesses que fizeram a sua escolha.  

O resto são meras desculpas de maus perdedores e de maus políticos, tão maus que nem são capazes de perceber que o eleitorado julga com base na avaliação da diferença que vai entre o que é dito e prometido e o que é efectivamente realizado.



publicado por Francisco Galego às 19:46
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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